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Xamanismo: Uma história de 40 mil anos – Parte II – a gratidão!

 

Quem pratica o xamanismo sente em seu coração que o Universo é uma grande unidade. Tudo e todos estão integrados ao Todo. É uma única rede de ligação entre todas as coisas e por esse motivo, o que acontece com qualquer ser no universo, tem a ver com você, comigo ou com todos em todos os cantos, pois todos somos células de um Grande Corpo chamado Deus. 

A minha profissão de psicólogo clínico que também se utiliza das técnicas de Regressão a Vidas Passadas e minha intuição, me dão a certeza de que a vida é uma continuidade. Ontem, hoje e amanhã fazem parte deste processo de continuidade. O que hoje vivemos em nossas experiências pessoais é apenas a continuação daquilo que deixamos de resolver em outros momentos anteriores a este e estamos de volta para reaprendermos a fazer o caminho de “volta à casa”, ou melhor, de voltarmos ao encontro da Unidade e descobrirmos a presença de Deus em nosso coração. 

Todo sofrimento humano acontece por termos nos desviado desse caminho da Unidade e tentarmos criar nosso caminho próprio diferente do caminho original. Somos células, contemos tudo o que está no TODO, mas sem sua Presença, ou melhor, sem nossa união com a Fonte, nada pode ser feito, pois a graça, a beleza, a perfeição de tudo, está em estarmos em harmonia com a nossa eterna Matriz. 

A misericórdia da Divindade nos permite experimentarmos situações que fogem ao equilíbrio e à Verdade Universal para que um dia, com a experiência da dualidade e os acertos e erros que elas nos ensinam, possamos estar em algum canto do universo aplicando nossas vivências a muitos que certamente precisarão delas. 

Quando de minha formação xamânica, meu mestre Sérgio contou uma história onde um grupo de pouco mais de 10 índios foram trazidos do Planalto Central para São Paulo, com a finalidade de participarem de uma festividade onde atuariam e seriam homenageados. 

Ao chegar em uma das marginais, o motorista da van sugeriu que eles fossem almoçar numa churrascaria rodízio, em função do avançado da hora. Isso foi feito e todos os índios entraram na churrascaria, serviram-se fartamente da mesa de saladas e, quando começaram a passar espetos com os diversos tipos de carnes, todos eles se recusaram a comer. O motorista, quase indignado, quis saber o motivo de não aceitarem aquelas carnes, pois se tratava de uma churrascaria de categoria. A resposta veio muito rápida e foi parecida com esta: “Estas carnes não são consagradas. Estes animais são assassinados. Índio quando precisa caçar, entra na floresta, faz prece ao Grande Deus, pedindo que mande o animal que possa se sacrificar para que a tribo possa se alimentar. Então, o animal se apresenta para que possamos caçá-lo e nos alimentarmos. Estas carnes que vocês servem aqui não foram consagradas e por isso nós não as comemos”. 

Você que me lê, será que entendeu o que aquele índio quis dizer? Simplesmente o índio agradece a todas as coisas que a natureza lhe dá. Ele procura entrar em harmonia e comunhão com tudo o que existe, pois reconhece que todas as coisas fazem parte de Um Todo. 

Pense um pouco, você que me lê; imagine quantas pessoas passaram por este processo antes de você estar diante de um computador e poder ler o que aqui escrevi? Para nascer você teve pai e mãe, mas não foram só eles que lhe ajudaram a nascer e viver. Um hospital que foi construído por dezenas de trabalhadores, um médico, uma ou várias enfermeiras, uma parteira ou um anestesista, o pessoal da limpeza do hospital, o pessoal da cozinha, do administrativo, etc... Um mundo de gente participou do seu nascimento e você nem se lembrava disso. 

Aí, você bebê vai para casa e fraldas, cueiros, mamadeiras, ou empregada, ou babá, ou vovó ou titia, etc... quantas pessoas passaram no seu caminho e ajudaram o seu desenvolvimento em seus primeiros dias? E você nem se lembrava disso. 

Começa a andar, vai para a escola... suas roupas (quantas pessoas para produzir as roupas que você usou todos estes anos? Quem plantou o algodão, quem o colheu, quem o industrializou, quem o comercializou, quem o distribuiu, etc...) Veja a cadeia que nos envolve... 

Hoje você está diante do seu micro.... quantas pessoas passaram em sua vida, até hoje? Quantas pessoas foram envolvidas e, de alguma maneira, participaram para que esta mensagem chegasse até você e pudesse lê-la? 

Assim é o universo na visão xamânica. Tudo está interligado. Tudo é uma rede só de comunicação. Tudo tem que ser compartilhado, pois todos estamos no mesmo barco.
Por isso vou fazer a mesma pergunta que fiz a mim recentemente: “Você tem agradecido a tudo e a todos que o ajudaram a chegar até aqui? Você tem sido grato à vida e à própria Divindade”? 

Ainda não? Então, comece agora a agradecer a tudo e a todos. Coloque o maravilhoso hábito da gratidão em sua vida. Agradeça a todas as coisas: ao ar que respira, às cores que vê, o brilho do Sol, o luzir da lua e das estrelas, o verde das plantas e matas, a água da torneira ou da chuva ou da fonte, ou do rio e do mar. Agradeça ao fogo que aquece e cozinha e por isso transforma e cura e, principalmente, à Mãe Terra, a Patcha Mama, como falavam os Incas. Ela o recebe há milhares de anos para você viver todas as experiências evolutivas e nós a depredamos, agredimos, violamos, poluímos e não agradecemos por tanta generosidade. 

Alguém, hoje, fez o pão para você comer, a manteiga que passou no pão, o leite foi tirado da vaca, o café colhido e industrializado, a xícara ou o copo de que se utilizou, sem falar da cana de açúcar, de cuja colheita centenas de bóias-frias participaram, antes de chegar à moagem a industrialização. Você agradeceu a algum deles? Você pensou em ter gratidão por estas pessoas? 

Lembre-se: a gratidão nos liga à Fonte. A gratidão nos deixa em harmonia com nosso Eu Superior. A gratidão faz muito bem à saúde e, principalmente, traz a paz. Experimente agradecer e verá como se sentirá. 

Eu agradeço por ler meu artigo. Muito obrigado! Ry chy kay ará! 

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Texto revisado por: Cris