/ Psicologia

Amai a Tua Sombra Como a Ti Mesmo

Na nossa tradicional Roda de Cura da última 5a. feira, o querido Carlão-Bororo nos trouxe esta máxima que ouviu de alguém: “AMAI A TUA SOMBRA COMO A TI MESMO”.
Nós estávamos naquele momento falando dos desafios que aquele que quer seguir um novo caminho, o caminho da Consciência Crística encontra, que é travar uma intensa batalha entre o novo que se avizinha e que o nosso coração sente e reclama, e os velhos padrões cristalizados que a nossa mente exterioriza e o nosso lado sombra mantém.
É um desafio interessante àquele que está interessado em verdadeiramente se curar das insanidades do nosso ego e entrar numa nova Consciência que nos permita viver com segurança pessoal, sentindo-se seguro apenas por ser um ser humano e divino, sem estar sugestionado às pressões de um mundo que cada vez mais tem pressa, pois a pressa que esta sociedade tem, e te obriga cada vez mais ser  higth tech, só tem uma finalidade, impedir que você pense e sinta e continue preso no jogo de manipulação que vive a sociedade, onde se prega uma grande mentira: o conforto que você  merece ter, a alta tecnologia que está atua disposição e sua necessidade de estar atualizado à tudo o que seja novo e lhe mantenha antenado no mundo.
Esta é a idéia de felicidade que este segmento enorme da humanidade tem. Consumir coisas, que os torne iguais no sentido de ter “um” certo poder material igual àquele que tem mais do que você para não se sentir diminuído ou excluído do rol das pessoas que tem o poder de decisão.
Se você se sente próximo às pessoas que estão com o poder de decisão através do mando político ou financeiro, através do compartilhar das mesmas coisas materiais, você está de fato vivendo um mundo exterior, em sua mente exterior e mantém uma dificuldade enorme de estar em contato consigo.
Se você é assim, certamente é uma das pessoas que não praticam a mente interior, e tem muitas dificuldades de se conhecer e entrar em contato com sua essência interior, que se localiza em seu coração.
Não é possível encontrar a tão desejada felicidade, se ela não for encontrada em seu coração e a imagem que a mídia te vende, que a felicidade é ter um carro, novo, potente, com isto mais aquilo, ou ter um celular onde além de tirar foto você  poderá acessar a internet de onde quer que esteja e ouvir música, ou um ipod ou um ipad  ou aquela viagem para um lugar onde se mostram pessoas dando muitas risadas e um sol escaldante, ou para se tomar aquele determinada marca de cerveja, junto a um ambiente de praia, com corpos femininos muito bem delineados e servindo apenas como um instrumento de consumo na imaginação e músicas estonteantes.
E a ditadura da beleza em que a mulher de nossa geração é a grande galinha dos ovos de ouro. Os silicones, as novas tetas, os enchimentos dos bumbuns, as academias, que mantém programas para cada centímetro do seu corpo, os cremes milagrosos, para marcas, estrias, rugas, sardas, celulites, para manter a pele aveludada, bronzeada o ano interior, as roupas, ah, as roupas, a necessidade compulsiva que de uma maneira geral a mulher tem de estar sempre acompanhando a moda e as novidades, imitando o cabelo, a roupa, o anel, o brinco, a sandália, que aquela famosa ou bonitona e gostosona usou na novela ou no filme, ou no casamento, etc... Minhas lindas, queridas e amadas mulheres, vocês esqueceram o hábito de sentirem no coração, vocês se esqueceram que são seres divinos, feito à imagem e semelhança da Grande Mãe?
 Isso não é felicidade. Isto é manipulação e por algum motivo cósmico, algumas destas pessoas que estavam vivendo este caminho,  em algum momento sente um novo chamamento no coração, sentem-se perdidas, sem rumo e vão procurar ajuda para corrigir os rumos de suas vidas e aí começa-se um novo caminho, o caminho do resgate de sua consciência divina, através de aprender a entrar em seu coração e encontrar em seu Eu Superior o suporte, às respostas e a cura dos velhos e viciados hábitos.
Há 4 anos atrás eu tive a felicidade de encontrar um grupo de pessoas felizes. Não sei dizer se eles sabem que são felizes, pois são paupérrimos, vivem no limiar da pobreza, fazem apenas uma refeição por dia, onde comem peixe na brasa pescado no rio Xingu e biju de mandioca, que eles mesmos cultivam; andam desnudos no tronco, de pés nos chão, alguns têm uma havaiana e a grande felicidade deles, é quando ganham uma destas sandálias, para que nos dias de um pouco de frio, tenham os pés aquecidos.
Eles são os nossos parentes vermelhos Kalopalos, onde fiquei hospedado durante uma semana na casa do Cacique Tafukumã, num dos seguimentos da sua tribo que se estende por muitos quilómetros, rio Xingu à dentro, mais de 7 horas de barco da cidade mais próxima Canarana e convivi com 250 pessoas não encontrando neste período uma discussão, um confronto, uma criança sequer que tenha brigado com outra, e apenas sorriso, compartilhar, generosidade, amorosidade e um aceitar da vida.
Como estes irmãos vermelhos vivem uma vida simples, não são tentados pelas coisas materiais, eles têm uma vida mais centrada, com tempo de compartilharem a si mesmos e a comunidade em que habitam.
Aqui surgiu uma indagação, que quero dividir com você: Você costuma compartilhar sua vida com você mesmo? Pense um pouco... o que seria compartilhar sua vida para si mesmo?
Você costuma abrir um espaço para entrar em contato com seus sentimentos, dar um tempo e se isolar de tudo e de todos, e apenas ficar consigo?
Como é tua relação com você mesmo? Você tem por hábito fazer uma reflexão no final de cada dia, olhando para todas as experiências vividas, e olhando principalmente aquelas que te incomodam, que machucam, mas sem se queixar dos outros, apenas entendendo que o que aconteceu, ou aquilo que você crê que o outro tenha te feito, é apenas um reflexo de alguma coisa que está em você ainda não resolvida, uma dor emocional que está lá dentro encoberta e quando alguém aí fora mexe com ela a dor vem à tona e sua tendência pode ser se vitimizar ou culpar os outros por aquilo que está em você e não tem coragem de olhar e conhecer para curar?
Como anda tua relação com você mesmo? Talvez não tenha tempo de se olhar. Deve estar tão absorvido pelos compromissos, pelas necessidades, que a relação mais importante que você tem em sua vida que é consigo mesmo você tem deixado de lado, apenas para cumprir um compromisso com a vida material, onde o seu ego te obriga e ter coisa, ou tentar ser alguém esquecendo que a única coisa que você precisa é ter você mesmo e que você não precisa ser nada, pois você já é?
Então o que acontece com alguém que vive este dilema? Certamente uma grande confusão, pois a parte de cada um de nós que é manipulada, que é presa fácil desta sociedade competitiva e até mesmo cruel, é o nosso lado sombra, que é aquele lado das experiências negativas de poder, de mando, de apego, de ódio, de manipulação, de religiosidade mal conduzida, de arrogância, orgulho, vaidade que cada um de nós viveu em diferentes épocas, onde nos apegamos a estes valores, cristalizamos estes sentimentos negativos, pelo fascínio que ele exerceu sobre nós, e estes arquivos de sombras, estão aqui em cada um de nós hoje, presentemente, exigindo o reparo, o seu entendimento, para que haja o seu equilíbrio e consequentemente sua cura.
Toda sombra que temos é uma história que foi vivida. Falo em palestras ou no consultório, para que haja uma aceitação melhor deste nosso lado negativo e que às vezes nos envergonha e que todos nós já fomos ladrões, assassinos, prostitutas, desonestos, manipuladores, odiamos, machucamos, etc, e hoje estamos aqui para equilibrar esta energia, para aprender a acolher esta energia.
Por isso quando escutei a frase, amai a tua sombra como a ti mesmo, na hora me veio o desejo de escrever sobre o assunto e assim estou fazendo obedecendo a um chamado do seu ser interior, que deseja também a minha cura e ao me curar, eu posso compartilhar esta cura com outras pessoas.
Mas como lidar com este lado da sombra e como amá-lo?
Ele aparece a cada momento de nossas vidas, repetindo apenas um fato semelhante ao já vivido, aparece no nosso cotidiano, e este arquivo desta sombra vem á tona, se manifestando da maneira com que ele se manifestava no passado, fazendo as mesmas exigências, ou tendo o mesmo medo, repetindo o padrão, de um comportamento sem limites e sem fé, que ao desencarnarmos não foi resolvido e que está na pauta do nosso dia emocional e espiritual, esperando que saibamos acolhê-lo para curá-lo.
Como amar a nossa sobra? Só podemos amar a nossa sombra se entendermos que temos um lado luz e um lado sombra. E está foi a experiência de Deus com a dualidade de suas células que somos cada um de nós. E para que possamos amá-la precisamos primeiramente aceitar este nosso lado sombra, sem a pecha do pecado que as religiões tentam colocar em nossas vidas e muitas até chegando a afirmar que as nossas sombras, este lado negativo que desenvolvemos, é a manifestação de satanás.
Se a sombra foi uma experiência da dualidade, pois antes da dualidade, ou seja, da luz e sombra, nós éramos apenas luz, mas sendo só luz não conhecíamos nada fora da luz, e estávamos parados, quase que sem movimento, apenas curtindo o amor que a luz contém, sem ontem hoje ou amanhã. O Criador Primordial, vendo que sua obra não se expandia da maneira que ele desejava, resolveu criar a dualidade, para que através das experiências destes dois lados, que agora devem se integrar, e houvesse um sentido de maior movimento no universo e sua obra se desenvolvesse segundo sua vontade.
Então, precisamos integrar nossas sombras. Precisamos aprender a aceitar que temos sombra, sem nos sentirmos culpados por tê-las, ou com vergonha de tê-las ou mesmo com medo.
A sombra foi o lado obscuro que a nossa personalidade desenvolveu em múltiplas encarnações, usando o poder, a política, a beleza, a religião, o dinheiro e muitas outras coisas, para dominarmos outras pessoas e termos benefícios materiais e pessoais com isso.
Igualmente como vemos ainda hoje, ditadores, e a grande maioria de políticos, ou religiosos que manipulam e enganam as comunidades ou aqueles que praticam assaltam e assassinam. Todos estão ainda vivendo este lado obscuro desenvolvido em tempos atrás e que ainda não conseguiram ter o entendimento que ele é apenas uma ilusão dos sentidos humanos, e que nos tira a visão do divino e nesta visão divina o que comanda e dirige é o amor.
Assim, é urgente que aprendamos a amar a nossa sombra, aceitá-la, para que possa ser integrada. Há duas palavras por demais importante do Mestre Jesus que ecoam até hoje: “não julgueis para não serem julgados” ,por ele saber do lado sombra, e da experiência da dualidade que a vida nos apresentava, julgar os outros, é julgar a si mesmo e “amai-vos como eu vos amei” ele veio nos mostrar que só com amor, pelo amor, que conseguiremos ter a paz de nossa conquista de felicidade.
A sombra precisa ser acolhida, ela precisa ser amada, pois ela nos ajudou a desenvolver diversos talentos, pois o choque entre as duas energias nos propiciou um desenvolvimento emocional que nós não tínhamos enquanto estávamos apenas na luz. Na hora que eu apenas acolher minha sombra, aqui no meu ser divino que fica no coração, sem queixas, sem vergonhas, sem lamurias e com aceitação deste meu lado humano, estou integrando a minha dualidade, estou transformando esta sombra numa nova energia e ela certamente não irá me perturbar como tem me perturbado.
O não conhecimento dela, a fuga do seu encontro, a vergonha de ter determinados sentimentos nos faz infelizes e quanto mais eu fugir de minha sombra mais ela me persegue. Se eu a enfrento, se eu a aceito como uma experiência humana, sem deixar que a própria vaidade que ela contém me domine, nós estaremos dando um grande passo à nossa ascensão. Amar tua sombra e encontrar o teu caminho da cura e da elevação espiritual à 5ª.Dimensão. Caminho único que nos leva de volta à Casa do Pai.