/ Psicologia

O Julgamento

 “Não julgueis para não serdes julgados” 


Quando julgamos alguém, não julgamos este alguém. Julgamos a nós mesmos, pois o outro SEMPRE é um espelho de alguma coisa nossa não resolvida. 

CERTO x ERRADO? ou ADEQUADO x INADEQUADO? 

Cada um de nós carrega em sua psique uma série de lembranças relacionadas a todas as experiências vividas ao longo de múltiplas vidas nossas aqui no planeta. No recomendado livro "CONVERSANDO COM DEUS" de Neale Donald Walsch, é assinalado que a vida humana no planeta Terra está na média de 500 encarnações para cada um de nós. Uns com mais tempo, passando desta marca, e outros com menor tempo, com um pouco a menos que as 500 encarnações. 

Se este fato for correto podemos imaginar a quantidade de informações que nosso Subconsciente ou Corpo Emocional tem arquivado nesses períodos e quantas destas informações são viciosas, limitadoras, tirando de cada um de nós a visão e o direito de “praticarmos-o-Deus” que cada um de nós É, e ao vivermos nossas experiências, o próprio processo de experimentar a vida fez com que o ser humano cometesse vários enganos e desacertos. 

Tendo o potencial da divindade latente em nossa alma e intuindo este quesito de suma importância, mas sem a maturidade para exercitá-lo da maneira madura e coerente, fomos acumulando diversas vivências, ora de harmonia, ora de dor e por outro lado, cada vez que a experiência era de agressividade e violência, a sensação da “separação” com o divino se acentuava, aumentando assim nosso nível de culpa e insatisfação. 

Certamente este foi um dos motivos de terem surgido as religiões no planeta na tentativa do ser humano voltar a ter sua ligação com o divino, mas como o processo estava por demais contaminado por culturas, culpas, por excesso de poder e crenças manipulatórias, este caminho de volta só poderia ser conquistado a partir de determinadas expectativas ou interesses daqueles que mantinham o poder. 

O poder que foi experimentado por todos nós, em diversas vidas sucessivas, sempre teve a finalidade de mostrar ao homem a presença de Deus em si e o que representa o livre arbítrio; serviu na maioria destas oportunidades para praticarmos cada vez mais a separação com a Fonte, pois faltou o ingrediente básico, ao se exercitar o poder: O AMOR. 

Por outro lado, ao perder o rumo de seu caminho de volta à sua consciência superior, ao mesmo tempo que a religião manipulou e castrou nossas maiores possibilidades de exercitarmos a liberdade, também acabou se tornando o Superego para a humanidade como um todo, pois ela tem servido para refrear nossos impulsos agressivos e instintivos, mas acaba não permitindo as experiências que fariam o ser humano crescer pelo próprio aprendizado que ela viria a representar em nossas vidas. 

Assim, hoje, de maneira geral, mantemos uma série de crenças morais, éticas e religiosas que não representam o caminho de nosso verdadeiro equilíbrio e como o sistema nos ensinou a fugirmos de nossa própria realidade interior, pois a vida acabou sendo voltada para a prática externa e material, desenvolvemos no sistema do julgamento uma âncora importante para nos mantermos sempre na mesma posição e não perdermos o controle de nossas vidas, ou melhor, de nossos egos. 

Isso não representa progresso e evolução. O julgamento se tornou um instrumento do nosso ego que faz comparações e tenta nos colocar como se fôssemos melhores do que o outro e continuarmos a praticar as atitudes e crenças exteriores sem “precisarmos” nos preocuparmos com o encontro com o nosso interior. 

O certo ou errado que cada um coloca acaba sendo um enorme mecanismo de defesa diante do nosso próprio medo de que alguma coisa nos contamine e nos tire da rigidez e acomodação que o ego nos colocou, visando ter a segurança de que ele não será mexido ou terá que alterar qualquer coisa. 

Todas as vezes que cada ser humano entra na atitude do certo ou errado e pratica um julgamento, ele está se colocando numa situação de juiz de alguma coisa ou de alguém, assumindo uma onipotência exacerbada e deixando de perceber uma coisa por demais importante: a vida é uma experiência de Deus em cada um de nós e por isso ELE não nos julga. 

Certamente a Consciência da Fonte Matriz que criou um conjunto de leis visando apenas a preservação da própria vida, apenas permite que as vivências que não tiveram a qualidade adequada e não promoveram felicidade ou crescimento, ou expansão, ou cura ou amor, e principalmente o aprendizado desejado, sejam repetidas novamente, para dar ao ser a oportunidade do desenvolvimento da compreensão, que deve ter faltado no momento anterior. 

Por isso, as palavras do Mestre “não julgueis para não seres julgados”, representam o conhecimento que ele tinha, pois ao julgar alguém ou a alguma situação é a nós mesmos que estamos julgando e se em vez de julgarmos, procurarmos com todo nosso desejo sair desta egrégora negativa e olharmos a vida como uma grande oportunidade de experimentação, onde podem existir coisas que são adequadas e inadequadas, certamente encontraremos dentro de nós um caminho aberto, leve e livre para voltarmos mais rapidamente ao encontro de nossa felicidade. 

É sabido que o outro representa um espelho para cada um de nós. O que julgamos no outro é o que temos não resolvido em nosso coração. No livro "Um Curso em Milagres", o Mestre Jesus, explica o surgimento do nosso ego e o que representa o julgamento que fazemos de qualquer pessoa que conhecemos ou faz parte de nossa vida. Todo julgamento certamente está contaminado pelas emoções e sentimentos não solucionados dentro do nosso coração que promovem um desvio da realidade que acreditamos ver no outro, mas mesmo que estejamos vendo algo próximo da realidade no outro, o que em nós nos leva a julgar? 

Os Mestres reafirmam o tempo todo que a vida humana é uma experiência de Deus e cada um vive seu caminho de “encontro-a-Deus-em-si” e o caminho de um não será o caminho de outro, pois as “experiências-de-Deus-em-nós” são diferentes umas das outras, pois se fossem todas iguais, já se saberia o resultado final e a vida deixaria de ser esta maravilhosa experiência. 

No universo não existe o Certo ou o Errado. Existe o Adequado e o não Adequado. O que você acha: Certo ou Adequado? 
 

Texto revisado por: Cris