/ Psicologia

A Vítima – Há uma dentro de Você

 São inúmeras as peças que o ego humano nos prega, visando continuar comandando nossos destinos. Ele cria a cada momento, novos recursos que visam continuar a lhe dar o comando sobre nossas atitudes e escolhas diárias. 

Quando começamos a estudar e tentar entender o funcionamento de nosso psiquismo, nos deparamos com uma quantidade enorme de itens a serem limpos da psique, onde a ansiedade aparece como cenário principal, escondendo como pano de fundo as sombras, as viciações comportamentais, os medos e as queixas de todas as naturezas possíveis, que nos mantém como se fôssemos eternas crianças, sem condições de conduzirmos com equilíbrio, sabedoria e amor os nossos próprios destinos. 

O Inconsciente Coletivo da humanidade herdou esta massa mental inadequada à felicidade, e todos estes comportamentos que nos tiram de nosso foco Crístico, são socialmente aceitos como normais, e a grande maioria das pessoas sustentam todos os dias estes padrões, repetindo em continuidade as mesmas atitudes, e fazendo que nossos corpos emocionais fiquem saturados de uma energia densa, viciosa e involutiva, nos impedindo de acessarmos em nós mesmos os poderes da divindade que se encontram na Centelha Cardíaca de cada ser. 

A resposta a todos os enigmas do Universo se encontra em cada um de nós, nesta Centelha Cardíaca, ou seja, dentro de cada coração, local por onde contatamos o nosso Super Consciente, ou Eu Superior, que é o nosso Corpo da Alma. 

Vivemos uma vida de personalidade e de personalismo, e nos afastamos da vida da Alma, local onde percebemos os enganos da vida humana e o grande afastamento que temos praticado de nossa generosidade, de nossa alegria, da paz e centramento em nós mesmos têm criado as dores que cada um enfrentamos diuturnamente nas lidas diárias. 

Uma grande e importante parcela dos humanos vivem seus infernos interiores, e exteriorizam estas suas dificuldades nos comportamentos atuais da humanidade, criando em muitas regiões do planeta, verdadeiras situações de caos e sofrimentos, inimagináveis a seres de luz e divinos como todos nós somos, descendentes diretos do Coração do Grande Todo. 

A falta de um olhar mais refinado e coerente, faz com que nem percebamos a quantidade de queixas internas que carregamos e auto-alimentamos diariamente, colaborando com que uma grande parcela de nossos semelhantes, vivam verdadeiros papéis de vítimas, sempre acreditando que “alguém” é seu algoz ou lhe prejudica constantemente, atribuindo assim ao outro, a condição de ser o responsável por sua infelicidade ou por seu destino. 

Esta estrutura da vítima, ou do coitadinho de mim, está atrelada à nossa criança interior, que provavelmente copiou este modelo de algum adulto que nos educou e nos passou conceitos de vida e de sociedade e hoje, quase sem perceber, repetimos este padrão, e em muitas ocasiões não somos capazes de tomarmos atitudes de defesas pelos nossos próprios direitos, pois ser a vítima, é um papel que acaba sendo gratificante, principalmente se a pessoa aprendeu que a melhor maneira de ser reconhecido é sê-lo pelo sofrimento, pela dor, pela desgraça, para que o outro, qualquer que seja este outro, tenha muito dó de mim e de minhas desgraças pessoais. 

Com freqüência estamos diante de muitas queixas:
Nós vemos as pessoas que se queixam do trabalho, se queixam do namoro ou casamento, ou do pai ou da mãe, e precisam se queixar, precisam ter este espaço para que alguém a escute, mas quando lhe é sugerido alguma atitude para mudar o padrão de queixa ou mesmo a solução do problema, tomando alguma atitude que possa transformar a situação reinante, normalmente estas pessoas mudam de assuntos, ou já tem um arsenal de desculpas prontas, justificando o porquê não podem tomar atitudes de mudanças, pois segundo suas justificativas, qualquer atitude de mudança ou não daria certo, ou prejudicariam mais ainda a situação do momento. 

E você como trata as suas próprias queixas?
Você tem consciência que este papel de vítima, do coitadinho, também está dentro de você e que pode estar repetindo constantemente diante das dificuldades que a vida lhe apresenta, e que estas dificuldades existem para que você aprenda a se tratar melhor, que aprenda a ser mais grato com o universo, a que aprenda principalmente a mudar este padrão, pois não existe nenhum coitado, nenhuma injustiça sendo cometida, e que tudo que acontece a cada um de nós segue um padrão emocional registrado em nossa psique, em nossa criança interior e enquanto eu não entrar em contato com este lado obscuro e transformá-la, ele continuará se repetindo até que resolva por um fim nisso? 

A vítima, o coitadinho de mim não tem saída. Ela ou ela não quer uma saída. A saída encontrada é continuar sendo sempre esta pessoa que se queixa, e algumas quase não se queixam exteriormente, apenas comentam com muita fidalguia e prazer, como enfrentam suas dores, como se fossem verdadeiros heróis ou heroínas, mártires que estão indo para o cadafalso, aceitando o sofrimento como um fator natural da vida e não admitindo nenhuma atitude de mudança, pois se esta ocorrer, o que esta pessoa fará sem o papel de vítima no dia seguinte? 

Algumas pessoas jogam sua energia da vítima em cima de pessoas queridas dos seus relacionamentos, e passam a viver suas vidas para estas pessoas, suportando várias frustrações e angústias e o dia que a pessoa objeto de sua investida e disponibilidade, sai de sua vida, não aceitando mais ser servida, ou outra coisa que venha ocorrer, estas entram em verdadeiros desesperos, até mesmo em depressão, pois o objeto do seu desejo de servir e se colocar como vítima, não está mais respondendo a sua ordem de comando, se colocando como seu algoz ou como a pessoa que precise ser servida. 

Por trás de toda vítima, existe uma pessoa manipuladora, que se torna a vítima ou a coitada, ou a queixosa, para poder de alguma maneira estar controlando a vida de alguém ou uma determinada situação. 

A vítima normalmente é aquela pessoa boazinha, que diz amém a quase tudo e se torna uma das pessoas mais desagradáveis que temos que lidar em nossas vidas, pois por estar centrada no seu papel de boazinha e vítima, ela não respeita nada , nem a si nem a ninguém pois o que lhe importa, e o que lhe sustenta energeticamente é manter o mesmo papel a todo momento. 

Em cada um de nós há uma pequena, ou uma média, ou uma grande vítima, lá dentro da estrutura de nossa criança interior esperando ser curada, amparada, compreendida. Esta vítima que aí dentro permanece, está relacionada a algum momento de nosso desenvolvimento emocional, no aprendizado dos nossos 7 anos iniciais, onde formamos a estrutura de nossa personalidade desta vida, e quiçá em nossa memória extra-cerebral, que são os conteúdos que trazemos de um outro momento diferente deste nosso presente. 

E este fator emocional que lá entrou e ficou infantilizado e não foi estabelecido com o critério da clareza está esperando que você adulto, o visite novamente, para fazer a sua catarse e se libertar da dor ou do engano que ele projeta em sua vida.. Ou faltou amparo ou faltou amor, ou faltou apoio, e a criança interior machucada vive agora cobrando indenização pelo sofrimento. 

A outra vertente deste mesmo problema é quando nos deram em demasia, sem limites, em excesso, ficamos infantilizados, e a cada momento que nossas vontades não são satisfeitas, temos os chamados pitis, e nervosamente culpamos o mundo ou qualquer pessoa pela não satisfação daquilo que acreditamos ser nosso direito. 

Ambos os casos são desequilíbrios que afetam diretamente nossas atitudes humanas. Nos tiram do nosso centro emocional, centro onde se é possibilitado o contato com nosso eu Superior, que atingimos apenas quando estamos com o coração em paz, sem queixas, sem cobranças, sem julgamentos e sem achar que qualquer pessoa possa ser responsável pela nossa felicidade ou infelicidade. 

Caso você tenha localizado seu papel de vítima em sua criança interna, apenas questione-o. Converse com este papel como se fosse uma pessoa que está dentro de você. 

Dê espaço para esta queixa sair de lá, escute-a, analise-a e ampare-a. Certamente sua criança interior precisa de amparo. Do seu amparo, pois se você estivesse dando a ela o amparo e proteção que ela precisa, ela não estaria buscando fora de si, no outro uma maneira de ser reconhecida e aceita. 

Lembre-se, sua criança interior é um problema seu apenas seu, e não do outro e cabe apenas a você nutri-la e torná-la saudável e feliz. Quem se queixa ou é vítima nunca poderá ser feliz. Pense, sinta e perceba que você ainda pode fazer muita coisa por si. O poder é seu e a escolha também.