/ Psicologia

Como eu Lido com o Outro, dentro do meu Coração

 Como falamos reiteradamente no programa de rádio ou nos trabalhos xamânicos ou nos cursos que ministramos e falarei até que tiver voz ou até que eu aprenda, que o nosso maior desafio como ser humano é se relacionar com o outro. 

Só, que uma triste realidade nos mostra que o que tenho de dificuldade de me relacionar com o outro, é apenas um espelho da dificuldade que tenho em me relacionar comigo mesmo, apenas com a diferença que na minha relação comigo, eu me escondo de mim, não me olho, não me observo, não me questiono, sou indolente, dissimulo, etc. E quando estou me relacionando com o outro, aquilo que escondo de mim, vai aparecer pois o outro vai perceber como eu sou, como eu funciono e do que normalmente eu fujo dentro de mim. 

Assim, dando continuidade a texto anterior, vamos hoje pensar mais um pouco mais sobre o outro em nossas vidas e ver outros aspectos que não foram possíveis serem analisados naquele programa. Cada um de nós têm vários outros dentro de sua cabeça e portando dentro do seu coração, e todos estes outros, podem nos trazer sensações amorosas, de prazer, de paz, alegria, ou.... de tristezas, mágoas, ressentimentos, dores e desprazer. 

No primeiro caso, não merece nenhum comentário, pois se nos produz uma sensação de bem estar, que bom, devemos mantê-la, mas no segundo caso, quando é uma sensação de coisas que nos trazem sofrimento, é nestas que precisamos dar uma atenção especial e com elas, talvez tenhamos importantes lições a aprender. 

Cada pessoa que está em minha vida, uma parte minha a trouxe para mim. Esta é uma grande verdade espiritual e emocional. Ninguém cruza meu caminho se não houver de meu lado uma energia que atraia. Conto em vários lugares, uma palestra que ouvi anos atrás de um médico e querido amigo, Dr. José de Almeida, quando ele explicava leis espirituais afirmando que se vc sai na rua e um ladrão te assalta, uma parte de sua mente escolheu que vc deveria ser assaltado, normalmente por algum conteúdo de culpa inconsciente que vc trás na sua psique. Se vc não tivesse escolhido ser assaltado, o ladrão pode estar lá na espreita, mas como ele não sente a sua vibração autorizando o assalto, ele espera outra pessoa. 

Tudo o que me acontece eu atraio de alguma forma e sou eu o responsável por isso. As escolhas conscientes ou inconscientes ficam registradas em nosso campo áurico e é esta leitura que as outras pessoas fazem, da energia que está impregnada em mim, por isso agem desta ou daquela maneira comigo. Agem comigo, como eu permito ou peço para agirem. 

Então, as pessoas com que fazemos certos enfrentamentos e tenho determinadas energias para colocar em harmonia, são os desafios crísticos de nossas almas, pois estamos aqui encarnados para atingirmos a Consciência Crística e só poderemos atingi-la através do amor que conseguir colocar em meu coração e não pela mente, nem pelo controle, nem pela dissimulação ou qualquer outro tipo de falsidade ou mentira que o ego humano venha criar. 

Há uma enorme necessidade em cada um de nós, de aprendermos a contatar nossa verdade interior, pois é só com ela que iremos atingir os padrões de consciências superiores que nos levarão à nossa tão buscada cura. 

Mas quando estamos com contenda com os outros, quando há enfrentamentos, quando há mal entendido, quando pensamos diferente, quando temos uma expectativa e o outro age de maneira como não esperávamos e muitas outras coisas por este caminho... qual acaba sendo o caminho que acabamos elegendo para lidar com a situação? 

Normalmente não importando se as emoções que o outro que ocupa meu coração me traz são de tristezas, mágoas, ressentimentos, dores e desprazer, uma atitude é bem comum e quase universal em nós seres humanos: é o Julgamento. 

E por qual motivo nós entramos no julgamento, exigindo do outro, um comportamento que eu acho adequado, sem olhar de fato o funcionamento daquela pessoa, as necessidades que cada um tem e o momento que se está vivendo. 

Quando julgamos alguém, não julgamos este alguém. Julgamos a nós mesmos, pois o outro SEMPRE é um espelho de alguma coisa nossa não resolvida. O outro com seu comportamento me mostra aquilo que tenho semelhante àquela pessoa e que o comportamento dela nos deixa perceber, e assim julgamos, pois nos incomoda reconhecer que sou parecido com aquela pessoa....alguns falam;;; nossa eu não sou assim.... 

Sim, vc é assim, tem algo semelhante àquilo que julga, pois que como a Psicologia sabe informar, o outro é um enorme espelho de minhas qualidades e dos chamados defeitos.
E o julgamento dentro de cada um de nós, está preso ao CERTO x ERRADO. E quem pode nesta vida, afirmar se uma coisa é certa ou errada? Certo e errado á partir de qual ponto de vista, através de qual cultura, através de qual religião? Através de qual Deus? Sim qual Deus, pois será que o Deus que cremos é o mesmo? 

Mas há outro fator que precisa ser analisado e conhecido sobre o julgamento....em muitas ocasiões que julgamos estamos presos à uma enorme emoção e aí cometemos o julgamento, mas e quando somos julgados pelo outro? 

Quando é o outro que me julga, como me sinto?
Recebo com naturalidade ou minha reação é de indignação e irritação, desejo de retaliação e até mesmo de ódio em alguns casos? 

Quando isto acontece conosco, a nossa reação se dá, como um enorme mecanismo de defesa, pois no momento que isto ocorre, a pessoa ao nos julgar, nos deixar descobrir em nós mesmos, que aquilo que o outro está me julgando ou mesmo me acusando, é possível que em algum dia ou algum momento eu venha a praticar a ação; naquilo que o outro me julga e às vezes injustamente, eu reconheço em mim o potencial daquilo que estou sendo julgado e ao me sentir percebido de alguma coisa que eu escondia de mim mesmo, a minha reação normalmente é de muita raiva, indignação e às vezes até de agressão. 

Então para ficar claro, quando eu julgo o outro, julgo porque reconheço no outro, alguma coisa que tem em mim e que não gosto de ver, e me alivia poder falar que é o outro que tem aquele problema, assim não preciso olhar para o meu problema. Quando sou julgado pelo outro e me incomodo, me irrito, me desestruturo é porque aquilo que o outro está falando eu reconheço ser possível que eu venha a praticar aquela atitude que injustamente o outro fala de mim, ou então porque fui descoberto pelo outro. Ninguém gosta de ficar nu em praça pública. 

É por este motivo que eu vivo ruminando o outro dentro de minha mente. Vivo brigando com o outro, vivo discutindo, vivo reivindicando, vivo julgando ou me defendendo do julgamento do outro. Ou seja, vivo quase que o tempo todo o outro dentro de minha cabeça. 

E cada vez que qualquer um de nós vive este inferno emocional de estar tão ligado mentalmente ao outro, o que acontece comigo?
Simplesmente deixo de viver minha vida. Minha vida se comunga em viver dentro de minha cabeça a discutir ou me defender do outro, e assim, deixo de usar minha criatividade, minha espiritualidade, minha inteligência, para criar novos processos de vida, e a vida da pessoa que assim age, pára. Ela não consegue cuidar das suas coisas com equilíbrio, harmonia e paz, pois o outro está ocupado o seu lugar. O seu lugar sagrado está sendo ocupado por outra pessoa. 

Mesmo que cada um de nós carregue em sua psique uma série de lembranças relacionadas a todas as experiências vividas ao longo de múltiplas vidas nossas aqui no planeta, e muitos dos valores que familiarmente eu recebo na minha infância eu estou aqui hoje e agora, para mudar os paradigmas, para mudar as crenças e os valores. 

Por isso de maneira geral, mantemos uma série de crenças morais, éticas e religiosas que não representam o caminho de nosso verdadeiro equilíbrio e como o sistema nos ensinou a fugirmos de nossa própria realidade interior, pois a vida acabou sendo voltada para a prática externa e material, desenvolvemos no sistema do julgamento, uma âncora importante, para nos mantermos sempre na mesma posição e não perdermos o controle de nossas vidas, ou melhor, de nossos egos. 

O que nos faz ficarmos tão presos aos outros em nossas mentes e corações, são simplesmente os espelhos das coisas em desarmonias que ainda não conseguimos curar em nós.
Por isso damos uma dica aqui: quando vc perceber que está em sua cabeça brigando com o outro. Discutindo com o outro. Tentando provar alguma coisa para o outro. Tentando ter razão em relação ao outro, ou ter sentimentos de retaliação, de mágoas e tristezas pelo comportamento do outro, apenas quero lhe dar a dica que vc está esquecendo neste momento a coisa mais importante em sua vida: ,,, e a coisa mais importante em sua vida é VOCÊ. 

Você nasceu aqui por sua causa, pela sua evolução a aprendizado. Você não nasceu aqui para ficar dentro de sua cabeça se atormentando porque o outro disse isso ou aquilo, pensa assim ou assado, ou não se comporta ou age como vc espera. 

Aprenda a largar o outro. Aprenda a cuidar de sua vida.
Se mesmo vc querendo cuidar de sua vida e o outro vir á sua mente insistentemente, não lhe trazendo paz, pergunte então a vc mesmo porque o outro está tão presente em sua vida, o que o outro tem em seu comportamento que é parecido com o meu e por isso fico tão agitando ao perceber as semelhanças que não tenho paz e tento resolver esta questão do outro na minha cabeça julgando ou com o medo do julgamento do outro. 

Cuide de sua vida. Cuide de vc, faça o melhor por vc. Trate-se com carinho, trate-se com gentileza, aprenda a se amar. O amor não é egoísmo. O amor é se reconhecer como um ser sagrado, e portanto ter o direito de ter em si, viva a cada momento a maior energia do universo, que é o amor. 

Quando de fato eu aprender a me amar, a ficar comigo a me curtir, certamente eu deixarei o outro em paz, o outro não tomará mais conta de minha mente, e para algumas pessoas até de maneira obsessiva. Quando eu tiver realizado esta aprendizagem, vou poder aprender a conviver com as diversas facetas que o outro tem, pois a não aceitação do outro é a não aceitação que tenho de mim mesmo, e brigar em minha mente com o outro, é a mesma briga que tenho comigo, daquelas coisas que não aprendi ainda a resolver ou aceitar em mim.