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A mulher reclama: Faltam homens no mercado! É verdade?

 Em nosso artigo anterior sobre o assunto (“O Resgate da Alma Feminina”) levantamos alguns dados sobre um fator social relevante, que é a situação da mulher atual, a que produz, é independente financeiramente, dirige à sua escolha a própria vida, mas tem ficado sozinha, cada vez mais sem parceria afetiva. 


Há uma queixa geral da mulher sobre a “falta de homens no mercado”. Há alguns anos este fenômeno tem ocorrido e atualmente ele se torna mais evidenciado. Uma tendência que começou a ocorrer sem ser percebida inicialmente, hoje assume proporções grandiosas e as mulheres sabem que as chances de encontrarem um companheiro para constituir família com filhos são cada vez menores. 

As mulheres entre 18 e 27 anos ainda não sentem da maneira que a mulher que já passou dos 35 anos e é solteira, ou a que está à procura de um segundo casamento e tem condições profissional e financeira definidas. É a que mais se queixa da falta de homens, pois segundo relatam, os que há disponíveis estão “bichados” ou com “defeito de fabricação”. 

A alma feminina, sempre mais sensível que a alma masculina, pois os propósitos do universo são diferentes para cada um dos lados, vive um grande dilema em sua caminhada, pois “vencer na vida”, realizar-se pessoal e profissionalmente são imperativos para a mulher de hoje. E afetivamente? Como andam as coisas para esta mulher? 

Será que o vencer na vida e a realização pessoal e profissional têm atrapalhado este caminho da mulher? 

Chego à conclusão que sim, por isso coloco como um dilema de caminhada, pois houve um pequeno desvio no roteiro feminino, em cumprir sua função específica junto à humanidade e se este fator não for corrigido, a mulher ficará cada vez mais distante do seu ideal afetivo e do homem de maneira geral. 

A energia feminina é receptiva, acolhedora, é a que forma o lar, o interior, é o princípio passivo da vida. A energia masculina é o princípio ativo criativo que vai para fora em busca da criação e da conquista. As duas energias se completam, pois as duas formam uma só. A divindade. O divino em nós. A própria consciência do Criador Cósmico, Pai/Mãe. 

Cada um de nós é um ser dual. Nosso lado direito é masculino e a outra parte, nosso lado esquerdo, é feminino. E a mulher deu a partida, saiu do seu casulo para fortalecer seu lado direito (masculino) e se tornou mais ativa; passou a integrar a produção de bens materiais, através do seu trabalho exterior. É aí que ela tem encontrado muitas dificuldades e em algumas até se perdido, pela troca de polaridade que tem ocorrido. 

Nesta troca de polaridade, a mulher mais masculinizada esqueceu-se que seu “Animus” não pode ser o fator primordial de sua vida. Trabalhar, estudar, produzir é um direito inalienável do feminino, mas seu principal papel na vida é ser a receptiva, a que acolhe, é a substância vital da vida. Será que esta mulher está cumprindo seu papel? O que pode estar acontecendo? 

Em textos anteriores expliquei uma dificuldade emocional do feminino que, num determinado momento, precisa romper seu amor com sua mãe/matriz e se apaixonar por uma modelo masculino (normalmente o pai). Ao executar este processo ela desenvolve uma grande dor emocional, pois ter que romper com sua mãe é uma das maiores dores, senão a maior do ser humano. E não é só isso que ocorre por volta dos 3, 4 anos: além de romper, ela começa a competir com sua mãe que é seu modelo feminino, pois ela, precisando executar uma transformação sem ter ainda maturidade emocional, torna-se imitadora do seu modelo/matriz, tentando de todas as formas ser igual ou melhor do que ela, sua mãe. 

Infelizmente uma parte considerável das mulheres tem no seu ego negativo, ou criança interior, as marcas de infância que não estão resolvidas com sua mãe; e esta atual mãe repete este padrão com sua filha, competindo quando esta percebe que a filha a imita e começa a querer o papai só para si. Esta é a causa de tanta competição entre as mulheres. Você mulher que me lê, que vê a outra mulher a medir da cabeça aos pés, ou até mesmo algumas vezes o faz com outra mulher, já parou para pensar porque vocês são assim? 

Ao entrar no mercado do trabalho, a mulher encontrou o modelo masculino. Portanto, a mulher de hoje passou a ser masculinizada; e não estou falando de opção sexual, estou falando de que grande parte das mulheres age como homem e nem percebem. Falam, atuam, optam, portam-se de maneira igual ao masculino e não mais à do feminino. Incorporaram de tal maneira a energia masculina do trabalho em suas vidas que normalmente atuam em todos os seus papéis com uma energia masculinizada, e não com a energia feminina. 

Uma outra queixa da mulher contra o homem é que o homem, logo “de cara” quando a conhece, quer ter sexo e depois desaparece. Há alguns fatores que fazem com que o homem aja desta maneira, mas um dos mais evidentes é que, em geral, ele foge desta mulher forte, desta mulher que é independente e quer e gosta de dominar. O homem se sente frágil diante desta mulher que demonstra mais inteligência, mais assertividade, mais dinamismo e mais decisão. Assim, ao sentir a possibilidade de estar sendo aceito e até mesmo desejado, ele segue apenas seu instinto que é o de copular e nada mais. Não há o dia seguinte. Para muitos homens ter sexo com uma mulher poderosa, pode ser uma boa diversão e fortalece seu padrão masculino de conquista e nada mais. Sem dia seguinte. 

A força masculina que a mulher apresenta em sua personalidade tem cada vez mais afastado o homem do seu caminho. A mulher tem assumido sua parte masculina sem a adequação necessária, pois assumir a contra-parte masculina não é abandonar a sua essência feminina. 

A essência do feminino, que acolhe, estabelece, transforma, compreende e ama, não tem sido a tônica de muitas mulheres neste momento planetário, pois às vezes percebo que algumas mulheres parecem que estão o tempo todo em guarda contra os homens, não querendo parecer tolas, desprotegidas, frágeis e, principalmente, que são menos espertas; adotam diante do homem uma atitude de força masculinizada, esquecendo que a energia fundamental da vida é a do amor, e a mulher é a portadora desta energia. 

Toda mudança ocorre sempre pela mulher. Ela é a mais bem dotada pela natureza para ter mais compreensão e afetividade e acolher em seu coração os outros que passem pelo seu caminho em direção ao crescimento eterno; e se a mulher esperar do homem a mudança, ela dificilmente irá ocorrer, pois o homem, normalmente atua com sua "mãe" que lhe autoriza desenvolver esta ou aquela tendência que se manifesta no mundo dos adultos. 

Ser mulher ou feminina é um privilégio da Grande Mãe Cósmica, criadora de todas as coisas. Quem escolheu viver como mulher desempenha o mais importante papel que temos no nosso planeta, que é poder ser matriz da vida, ponto de acolhimento, convergência e desenvolvimento do plano divino em nós. O que você, mulher, precisa hoje é apenas reaprender a ser feminina e aí o próprio Universo lhe trará, sem nenhuma dúvida, seu correspondente masculino. 
 

Texto revisado por: Cris