/ Psicologia

O Resgate da Alma Feminina

 Nas últimas décadas o aspecto feminino tem avançado a passos largos e recuperado seu justo valor e assumido seu poder de escolha e decisão sobre sua própria vida. Muitas lágrimas derramadas e dores suportadas fazem parte do preço pago por todas as mulheres que ousaram romper as barreiras do machismo e clamarem seu lugar no mundo como pessoas merecedoras dos mesmos direitos. 


Hoje as descendentes de Afrodite vieram para impor sua energia do amor, através de sua delicadeza, docilidade e espiritualidade; em contrapartida, a energia do homem que sempre foi a da força bruta, da razão e do trabalho, buscando assim o equilíbrio tão necessário para que cada ser vivente no planeta possa sentir que a vida é bela e vale a pena estar nela. 

Mas o que temos visto demonstra que algumas coisas ainda não estão encaixadas em seus devidos lugares e o preço que a nossa civilização tem pago por esta pseudolibertação poderá em pouco tempo vir a se tornar de muito sofrimento. 

O masculino e o feminino não estão se “encaixando”! E foram feitos para isso! A mulher é cada vez mais forte, ocupando seu espaço e os homens cada vez mais fracos, recuando e se sentindo acuados. Os homens sentem-se enfraquecidos a cada dia que passa e antes a sua força, que era principalmente da virilidade, já está em vários momentos sendo trocada pela passividade, pelo esperar a atitude feminina assumir o comando e que acaba resultando até em disfunção de sexualidade, onde hoje encontramos em muitos homens com idades até 30 anos. 

Há muitas queixas de casais novos, principalmente da mulher, cujo parceiro não tem libido, ou se tem é muito baixa não satisfazendo à mulher em suas necessidades sexuais. E quando ela deixa de ser passiva e se torna mais ativa na sexualidade, pelo homem não ocupar seu espaço, seu parceiro começa a ter problema de ereção e não consegue completar a relação sexual. 

O que está acontecendo? Cerca de dois anos para cá, comecei a perceber no consultório um movimento neste sentido, onde a mulher mais ousada, decidida e livre para fazer sua escolha da maneira que bem entender, reclamava da performance sexual do seu companheiro. O enfoque estava no baixo desejo sexual daquele homem e muitas mulheres até entravam em confronto com seus sentimentos de rejeição e inadequação crendo que não eram mulheres suficientes para seduzirem e se fazerem desejadas, ou no caso mais comum, o sentimento reinante era explícito na frase que grande parte das mulheres ainda dizem num momento desse: ”Ele tem outra”. 

A grande maioria destes homens com quem pude conversar de fato “não tinham outra” e demonstravam uma baixa estima da masculinidade e, conseqüentemente, uma libido aquém do esperado e um total descompasso com relação às necessidades do feminino; sem entenderem que sua parceira tem certas carências afetivas e sexuais, estando fechados num narcisismo exagerado. Todo ser humano tem seu grau de narcisismo. A mulher quando menina entra no seu Complexo de Édipo e de Castração e desenvolve naturalmente, por um padrão social, o narcisismo de uma maneira bem mais evidenciada do que o homem. É a tal necessidade da mulher sempre ser bonita, ou mais bonita que a outra, e sofrendo se for menos bonita ou assim lhe for dito. 

Assim, pude começar a entender que alguma alteração comportamental estava ocorrendo em nossa sociedade e, ao pesquisar, fiquei surpreso com a origem deste processo que precisamos enfrentar e transformar, senão nossas gerações futuras pagarão um preço enorme que creio não deva valer a pena se pagar. 

Por hoje vamos apenas resumir os fatos, mas prometemos voltar ao assunto de maneira mais discursiva e com detalhes esclarecedores. 

Há 40 anos um grupo de mulheres começou a perceber que só aquela vida de dona de casa, onde o principal enfoque era cuidar de marido, filhos e netos, e dos pais e sogros quando velhos não era o ideal que lhe realizava e lhe dava segurança pessoal. Além disso, ficar sempre dependente financeiramente do marido ou pai tinha um custo moral e social muito grande e este grupo de mulheres, atendendo a um apelo de sua própria alma, resolveu estudar e entrar para valer no mercado de trabalho, criando sua própria condição de subsistência e espaço social mais amplo. Como esta mulher encontrou o mercado profissional? Totalmente dominado pelo masculino, pois normalmente só o homem trabalhava fora de casa. 

Esta mulher, em princípio, ocupou atribuições profissionais mais modestas e com o passar dos anos percebeu que tinha tanta competência quanto um homem em desenvolver sua atividade profissional e o detalhe mais importante de todos: todo ser humano gosta muito de ganhar dinheiro. A mulher entrou para valer neste mercado visando ocupar mais o espaço que era, então, masculino, e por não ter um modelo feminino adequado a se espelhar, ela usou do mesmo modelo masculino e, nos últimos dez anos, ela tem incorporado este modelo de uma maneira tão forte que hoje a sua conduta tem estado bastante masculinizada e por isso acaba contaminando uma considerável parte da sua vida com o modelo masculino. 

Se quiser entender bem o que estamos falando, há em nossa sociedade um papel profissional exercido hoje por mulheres, que retrata bem esta situação: Diretora de Escola. Olhando de fora verá que a mulher tem que ter muita força física, moral e até espiritual para atuar neste papel. Certamente, encontrará mulheres muito fortes, decididas, determinadas, dinâmicas. Mas olhem para seus casamentos de maneira geral. Por surpresa irá verificar que acima de 90% das Diretoras de Escolas que venha a conhecer, são casadas com homens frágeis, às vezes até dependentes emocionalmente e que tem um salário menor que elas. 

É uma grande armadilha e esta mulher que trabalha tanto e é mãe, já incorporou em sua filha o modelo masculino do trabalho, pois a menina ao competir com sua mãe adota este critério, se torna bastante ambiciosa e sua vida é mais dirigida ao profissional do que ao casamento... mas, e o menino? 

A mãe por não ter mais tempo para viver este papel, normalmente enche-se de culpas e passa a priorizar na educação dos filhos o hábito de dar coisas. Como sua ligação com o menino é mais visceral, ela acaba dando muitas coisas materiais aos meninos que distorcem o caminho do seu desenvolvimento profissional. Se a mulher com quem ele vai se unir, namorar, juntar ou casar é de outro padrão, ele fica assustado com ela, criando então mecanismos de defesa que o fazem até fugir da sua sexualidade. 

Assim, a mulher tem perdido sua essência feminina. Ela tem confundido entrega com submissão e até se sente perdida em encontrar seu próprio papel na sociedade, pois um grande contingente de mulheres vence profissionalmente, mas, em contrapartida, aumentou o número de mulheres sozinhas afetivamente e se não repensarmos num modelo que alie equilíbrio e sabedoria nestes aspectos, onde a mulher resgate a alma feminina, cada vez mais estaremos construindo uma sociedade fora do seu eixo e do seu destino final. 
 

Texto revisado por: Cris