/ Psicologia

Mulher X Mulher

 Por que tanta competição? 

O universo feminino é uma fonte rica em criatividade e desafios. Entender o complexo e hormonal comportamento da mulher se torna um grandioso desafio àqueles que têm a intenção de conhecê-lo. Será que a própria mulher tem conseguido se entender? 

Em nossa sociedade, a mulher que tem buscado sair da profunda armadilha que a sociedade machista lhe impôs nos últimos 7.000 anos, tem criado seus mecanismos próprios de subsistência; pois mesmo sendo alijada de vários aspectos de decisões da vida terrena, ela sempre se manteve na berlinda, com seu grande poder latente, como que esperando a hora da volta ao comando dos destinos humanos da 3ª dimensão. 

Há de se reconhecer que muitas injustiças foram praticadas contra o aspecto feminino neste período e aqueles que estudam com mais profundidade leis herméticas, que explicam a ação e reação constante no universo, afirmam que este fato só ocorreu, devido, no passado (em época anterior aos 7.000 anos quando a mulher tinha o domínio e o poder social, político e familiar), ela ter agido da maneira como o homem agiu com ela neste período recente. 

Se é correta ou não esta informação não sabemos e, certamente, esta fase tem sido uma dolorosa e importante experiência de crescimento à mulher. Mas resquícios comportamentais de poder e autoritarismo na psique feminina apontam que os acontecimentos podem ter sido da maneira descrita por vários autores. 

Se estudarmos os comportamentos dos povos que já existiram, ou mesmo os atuais, constataremos que uma quantidade de arquétipos se repete de geração em geração. E apenas para focalizar a questão do assunto que estamos abordando, nos deteremos em dois deles, que considero de muita importância: a Serva e a Mártir. 

Nestes últimos milênios a Serva e a Mártir foram os dois arquétipos que mais se permitiu ao feminino. Algumas mulheres de fato se deixaram capitular por este padrão e ainda hoje se encaixam neste modelo, que tanto serviu aos arquétipos do Guerreiro ou Herói que foram desempenhados com muita intensidade pelos aspectos masculinos nesse mesmo período. 

Buscando-se outros parâmetros de análise, verificaremos que os estudos psicanalíticos de quase 100 anos atrás, apontam a sensação de castração que a mulher vivia na época em que estes foram trazidos ao conhecimento humano. E muito desta castração era apresentado como sintomas de histeria, tão comuns nesta época. Percebo que hoje já não é da maneira que foram apontados no início do século XX. Muitas possibilidades novas surgiram e o arquétipo da Guerreira, que estava latente na mulher, começa a vir à tona nas últimas décadas. A Guerreira sai da toca para poder ocupar seu espaço. 

Mesmo emocionalmente castrada, ela sempre possuiu a energia da Guerreira, que faz parte do seu Inconsciente Coletivo. E por ficar muito tempo trancafiada, impedida e podendo observar a si e às outras mulheres com quem conviveu e conheceu, ela veio a desenvolver as atuais disputas de autoritarismo e poder com a sua semelhante: A Mulher! 

Tanto quanto o homem, a mulher deseja o poder. Durante séculos, o poder latente da mulher foi colocado e até desprezado pelo homem, que não se dava conta de que ela desempenhava este poder, usando mecanismos de defesas fantásticos. Considero o principal deles a Dissimulação. Normalmente o homem não faz a leitura da mulher quando ela está dissimulando. Geralmente ela dissimula e ele não percebe.

A própria natureza colabora com o feminino, onde a mulher já é dissimulada desde o seu nascimento, pois sua genitália é para dentro, é escondida. Ela, então, repete o mesmo padrão de sua origem, tendo na dissimulação a sua maior força. A energia que ela mais usa é a dissimulação. 

A vivência dos papéis da Serva e da Mártir obrigou, durante milênios, a mulher a servir a família e principalmente ao homem. A mulher aprendeu a tomar conta da vida dos filhos e conseqüentemente do homem. Esta aprendizagem direcionou seu ego e cristalizou no seu corpo emocional a crença que tanto filhos como seus homens são suas propriedades. Poucas mulheres conseguem ter na relação de mãe ou de companheira, a sabedoria de viver estas relações sem o apego. Apego que retém, faz sofrer e impede o desenvolvimento de todos os envolvidos. Encontramos em nossa sociedade poucas mulheres com esta problemática resolvida. E, além do apego, ressaltamos a disputa do poder, pois se o homem tem o poder no mundo, “eu tenho o poder sobre aquele que tem o poder”! 

É quase um senso comum entre as mulheres que “Os homens não sabem fazer nada, não sabem se cuidar e sem mim eles não viveriam”... ou até... ”Eu sei o que é melhor para ele”. Até hoje ela se sente na “obrigação” de cuidar dos seus homens. Ela cuida tanto que quando tem um filho homem, geralmente, não o ensina a fazer nada. Faz por ele e este não aprende a se cuidar, não desenvolve mecanismos de autonomia. Até que esta mãe transfere a titularidade desde filho para uma outra mãe que será sua companheira ou esposa. 

Ela se sente cobrada pela própria sociedade, ou seja, pela outra mulher, que a observa, a critica e que poderá querer cuidar, caso ela não cuide... Aqui começa um grande problema do feminino: o medo de perder seu lugar e espaço no coração ou vida de seu homem e acaba virando competição. 

Outro fator de relevante importância tem a ver com o conhecimento psicanalítico que nos ensina que, por volta de 3 anos, a menina ao ver que o pipi no menino é bastante valorizado, pois “ele pode fazer xixi em praça pública à vista de todos e eu não posso”, cria na menina - que olha para o meio de suas pernas e não vê aquela coisa fantástica e bonita que todo menino tem - uma inveja e uma dor. “Além de ser bonito, ele representa poder”. 

Para compensar esta sensação de ser castrada, pois a menina nesta idade ainda está na fase concreta do seu pensamento, ela desenvolve um grande mecanismo de defesa visando suportar a dor de ser diferente: a Fantasia. A Fantasia de que “um dia vou ter um pipi também”. 

Alguns estudos apontam que a menina fica algum tempo imaginando que seu “pipi” um dia virá a crescer. Se é correta ou não esta afirmação para todas as meninas, não sabemos, mas um fator importante acontece neste momento. A menina fica com uma sombra. Ela fica com um trauma por ser diferente. Então, o mecanismo da fantasia entra em atuação tentando compensar a dor. 

Para se sentir compensada de toda esta dor ou luto que vive por volta de 3 a 4 anos, a Fantasia lhe diz que ela pode desenvolver um recurso maravilhoso e que vê as outras mulheres praticarem e que vai lhe acompanhar a partir daí pelo resto de sua vida: A Vaidade. Neste momento ela precisa se sentir bonita. Ela precisa ser notada. Sendo bonita e notada, se sentirá aceita socialmente e amenizará um pouco o buraco ou trauma que ficou por ter se sentido inferior ao menino. Em muitas mulheres adultas esta necessidade pode vir a se acentuar em nível patológico. 

Um outro evento de grande significado ocorre praticamente em paralelo à sensação de sua castração. Ela, como todo bebê, se apaixona pela sua mãe. Mas ela é mulher e precisa definir sua sexualidade futura. Se continuar apaixonada pela mãe terá sua sexualidade invertida na vida adulta. É neste “desapaixonar-se pela mamãe e se apaixonar pelo papai”, que talvez esteja o maior dos problemas que a menina, e depois e mulher, vem a enfrentar em sua vida. 

Ela, pequena, frágil, com dores emocionais, sentindo-se diferente dos meninos; se tem um irmão aprende que ele é mais valorizado pela mamãe; não tendo o poder que os meninos têm por terem seu pipi e ter que romper com a mãe que é sua matriz, porto seguro e até então tem lhe mostrado os caminhos da vida....!! Imagine a dor emocional que representa esta necessidade de rompimento com a mamãe para se apaixonar pelo papai!?!? 

Esta dor lhe provocará um vazio, um perfeito buraco na boca do estômago, e daí sua natural necessidade de falar, de falar muito, de precisar contar ao outro, para ser sempre confirmada, pois o rompimento com a mãe ocorreu e, a partir daí, perdeu seu referencial de confiança em si. Precisa contar a outra pessoa para se sentir confirmada. 

Ela começa a olhar o papai com outros olhos: admiração. Até então o corpo da mamãe era suficiente e muito gostoso. Agora o corpo do papai é seu objetivo principal. Ele é grande, forte, tem pêlos pelo corpo, barba e me dá muita segurança. 

Uma outra constatação dolorosa lhe ocorre. Aquele papai é daquela mamãe. Dorme com ela, beija-a na boca, falam coisas que eu não sei, tem segredos de que eu não participo. Neste momento, esta menina que já está encantada por aquele homem maravilhoso começará a competir com sua mamãe, visando ter o papai para si. Se possível, até substituí-la. 

Vai imitar tudo o que a mãe faz. Tentará usar as mesmas roupas, maquiagem, e ficar tão ou mais bonita do que a mamãe. Então, já são duas necessidades de ser bonita que aparecem em sua vida. Ela compete descaradamente com a mãe pelo amor do pai, e se sua mãe não tem a sua criança interior bem assentada e sua relação com a própria mãe resolvida, entrará num grande ciúmes e começará a competir com sua filhinha, ajudando-a a desenvolver e se acostumar a competir sempre com a outra mulher. Este é o principal motivo por que a grande maioria das mulheres compete, quase sempre, com outra mulher. 

Tenho aprendido que a necessidade de falar da mulher também acaba sendo um ato de competição. O que me chama a atenção, tanto quanto o homem pensar com a cabeça de baixo, é ver a mulher, tão perspicaz e com uma dose de intuição, normalmente bastante elevada, não se dar conta do que acontece entre elas mesmas e competirem descaradamente, como se fosse uma disputa de “braço de ferro” num jogo infantil ou de adolescência, onde não haverá vencedoras. 

Você, mulher que lê este texto, parou alguma vez para questionar a sua relação com as mulheres de sua vida? Você de fato sente-se verdadeiramente amiga de suas amigas e crê que elas verdadeiramente são suas amigas? Há fidelidade e verdade na relação? 

A mulher compete com quem de fato tem o poder: a outra mulher! Esta competição se torna, às vezes, uma incoerência total e lastreada de muitas dores e mágoas. O que é comum se ver em um ambiente de trabalho, escola, ou mesmo entre familiares, é uma porção de mulheres tomando conta de outras mulheres. Projetam-se na outra quando criticam ou julgam, dissimulam, competem, se suportam, beijam-se, abraçam-se, enfim, é o complexo universo feminino que interage e que entre si, tenta encontrar seu caminho, no meio de tantos desencontros e muitos desequilíbrios. 

Em minha experiência clínica pude ver, em várias oportunidades, os desequilíbrios e dores desta competição, principalmente quando o lado afetivo e masculino entra em questão. Muitas vezes recebo relatos de mulheres que saíram, ficaram, transaram com os homens de suas colegas ou mesmo amigas e depois falaram que não queriam continuar a relação; era apenas para dar uma lição naquela... e até apareceu o comum fato da melhor amiga contar as belezas e proezas do desempenho sexual do seu marido, que excitou a imaginação da outra e esta foi provar do marido da amiga e acabou lhe roubando seu homem. 

Aprendi, com a própria mulher e com minhas observações, que ela não se veste para seu homem, mas normalmente para a outra mulher, pois sabe que a outra irá medi-la da cabeça aos pés e fará algum comentário, contra ou a favor. Aprendi, também, o quanto de medo que a mulher tem da outra, com relação ao seu parceiro afetivo, sem falar evidentemente da ex-esposa, quando esta se relaciona com um homem que já foi casado. 

Em quase todos os casos que presenciei, a ex-esposa se torna um martírio para a esposa atual, que passa a vigiar e a cobrar do seu homem alguma coisa que ele não deve e está apenas em sua cabeça, em sua imaginação, que é o grande ciúme de tudo o que ela imagina que ele tenha vivido na relação com sua ex. Muitos homens se tornam culpados, na cabeça de muitas mulheres, só porque se casaram anteriormente e tiveram filhos com outra mulher! Constato muitas guerras mundiais ocorrendo nos corações de várias ex-esposas, quando o marido sai da relação por causa de outra mulher. Normalmente este ato é imperdoável e “alguém” tem que pagar por isso! 

Segundo a cronologia esotérica apontada no calendário Maia, em 2012 o planeta Terra passará novamente a ser governado pelo aspecto feminino. Se for verdade esta afirmação, e tudo indica que será, verifique o quanto a mulher tem a fazer para se superar e ajudar no desenvolvimento da vida planetária! 

A mulher é a guardiã da espiritualidade humana. É a grande matriz da vida. É a personificação da Grande Deusa. É a que acolhe e que cria e desenvolve processos de vida. É o ser mais perfeito e competente do universo. Mas quando olhamos a história da mulher com a própria mulher, podemos constatar que há ainda um caminho muito longo a ser seguido e transformado. 

De aproximadamente 30 anos para cá, a mulher saiu do lar, do papel de dona de casa e mãe e entrou para valer no competitivo mercado profissional, dominado pelo homem. Infelizmente como não tinha um modelo seu, não vemos a mulher trazendo sua força, sua espiritualidade, seu poder de matriz e sim copiando o modelo masculino, ultrapassado e cheio de vícios. 

A matriz da vida é a principal formadora dos conteúdos mais importantes da psique humana. Mas enquanto a mulher competir com a outra mulher e não parar para se olhar, se checar, ver lá no fundo de sua alma se vale a pena tanta competição, o excesso de vaidade e procurar corrigir a rota deste caminho tão sofrido e desnecessário, ela, como matriz da vida, continuará ajudando a promover o mundo de enganos e dores que temos hoje aos nossos olhos. 

O mundo só será melhor, mais feliz, se a energia do amor abranger todas as consciências. A mulher como guardiã da espiritualidade, a sacerdotisa da Grande Deusa, é a portadora da chave do amor. A própria maternidade é a prova que este poder é da mulher. O maior poder que existe é o amor... Mas o amor só é possível onde o apego não mais existe... Portanto, mulheres, corrijam a rota, mãos firmes no leme, olhos fixos no horizonte, corações na esperança e mãos à obra!