/ Psicologia

Amor e Fantasia

 Todos os seres humanos buscam o amor. Crêem que este amor tem que vir de outra pessoa. Sonham, idealizam que este amor virá um dia e o(a) salvará de sua solidão. A nossa sociedade acostumou-se a procurar o amor fora. No outro. O outro tem que vir e me amar. 


Espero a vida toda ser nutrido pelo outro. Ah, com o outro eu serei feliz! 

Procuramos uma pessoa que dê significado a nossas vidas e nos autorize o amor. O não ter esta pessoa nos faz sofrer. Ficamos irritados, pequenos, sem valor, até chegamos a nos desprezar. Sei de muitas pessoas que choram de solidão, como se pedissem colo à outra pessoa ou do tipo pelo amor de Deus, me ame. Nossa cultura de dependência nos fez acreditar que a outra pessoa seria a nossa salvação. 

Interessante, é que quando temos esta pessoa, logo depois, ela já não nos serve, pois não nos nutre, como gostaríamos de sermos nutridos. Queremos que o outro faça por nós, aquilo que apenas nós deveríamos fazer. Trocamos de parceiros, ou melhor, entramos na parceria por causa de nossas carências e saímos dela pela mesma carência não resolvida. De certa forma, isto nos prova que ninguém completa a ausência que temos no coração. 

Afirmamos que ninguém completa, pois é uma das certezas que tenho depois de muita experiência profissional e de minha vida pessoal. 

Esta ausência ou carência, só eu posso completá-la. É de minha responsabilidade me amar. Só eu posso me curar de minha solidão. E curo a minha solidão, aprendendo a ficar comigo. Ser importante para mim, eleger-me o primeiro em minha vida. 

Estamos num padrão social tão desajustado que a sociedade nos cobra uma parceria afetiva. Sentimo-nos deslocados quando não temos uma relação afetiva acontecendo. E esta comparação, entre eu que não tenho e o outro que tem, inevitavelmente nos leva à solidão. 

A solidão é um vício comportamental, é um estado da mente de quem não consegue ficar consigo, de quem não consegue se amar. 

Nunca ninguém está só no universo. Se entender a estrutura dos 4 elementos e a diversidade de dimensões, certamente perceberei que nunca estou só. Só que me acostumei ao padrão da queixa, do colo, do coitadinho e receber a atenção do outro, é primordial. Preciso da atenção do outro, preciso ser nutrido pelo outro, pois não aprendi a me amar. 

É comum que neste estado de solidão venhamos a desenvolver inúmeras fantasias afetivas. Nos apaixonamos por diversas possibilidades que o outro nos apresenta. Todas movidas pelas nossas carências. 

Descobrimos uma infinidade de almas gêmeas e curtimos grande esperança, até que aquela alma gêmea não corresponda nossa expectativa e aí, então, descobrimos nova alma gêmea. Conheço pessoas que descobrem uma alma gêmea por mês. Outras que se encantam com certas características pessoais do outro e tecem uma rede de emoções, desejos, sonhos e principalmente fantasias, transformando sua energia afetiva num grande e imenso amor platônico, sem nunca se dar conta se estão sendo retribuídas, nesta mesma freqüência de energia. 

Nós todos somos seres eletromagnéticos. Vibramos freqüências energéticas o tempo todo e creio que quando duas pessoas se amam entram, portanto, na mesma freqüência que virá proporcionar, no encontro dos corpos, a maravilhosa sensação de um perfeito orgasmo. 

Se por acaso, este é o seu caso, de um amor platônico ou não correspondido, lhe dou uma dica. Olhe se a outra pessoa está na mesma sintonia que você. Se não estiver, não perca seu tempo. Use seu tempo, ficando disponível para o seu verdadeiro amor. Aquele que corresponda às suas necessidades de troca. Não idealize, amor não é para ser idealizado, é para ser experienciado. 

Se o outro não está na sua freqüência caia fora; este outro não lhe merece. Relação só é boa quando ambos querem a mesma coisa. Quando estão na mesma sintonia. Se a sintonia só é sua, é carência, é fantasia de sua parte. Talvez seja admiração de algo que o outro conquistou e você ainda não, ou o outro representa seu ideal como aspecto físico e comportamental. 

Mas o seu ideal pode não ser o ideal do outro. Portanto não sofra por amor. Apenas ame-se, apenas se dê uma chance de ser feliz, cuidando mais de você e não ficando à mercê da atenção e disponibilidade de ninguém. 

Você é uma estrutura universal única. Ninguém é igual a você. Respeite-se, curta-se, permita-se, cuide-se. Não é digno de sua parte chorar ou lamentar pelo amor não correspondido, pois se olhar sua carência e a ausência de amor por você, com toda certeza, mudará agora este padrão que só o(a) faz sofrer e que não resolverá sua questão afetiva. 

A solução de sua questão afetiva, está no seu coração. No amor por si. Ame-se e se curará da fantasia, de esperar amor do outro.

Texto revisado por: Cris