/ Psicologia

Nossa Criança Interior

 Nenhum ser humano é responsável pelo pensamento que cai em sua mente ou pelo sentimento que aparece dentro de si, mas me torno responsável se aceito o pensamento e o sentimento e passo a nutri-lo e alimentá-lo. 


Há uma grande massa de todos os pensamentos e sentimentos gerados, durante toda a existência da humanidade no planeta, à qual Jung chamou de Inconsciente Coletivo, e ela está aí, ao nosso lado, à procura de mentes e corações receptíveis para que seja ancorada. 

Independentemente do que há no astral, o ser humano tem uma grande dificuldade em lidar com os pensamentos e as emoções que a vida lhe apresenta a cada momento. Não nos ensinaram ficarmos centrados em nós, com nossa Mente Interior, mas a nossa educação e os exemplos dos adultos - quando crianças - é de ficarmos fora de nós, na Mente Exterior e, assim, aprendemos a manter um padrão de pensamentos e sentimentos, quase sempre fora de nós. 

Observe, você que me lê, que há quase que uma queixa interna de plantão em sua mente e, às vezes, em seu coração. Há uma estrutura psicológica que se queixa quase o tempo todo de diversas coisas, reivindica atenções, acha-se injustiçada pela vida ou mesmo por Deus, é crítica, egoísta, malcriada, orgulhosa, vaidosa, medrosa, submissa, arrogante, etc. Esta é nossa Criança Interior, a machucada, a magoada, também chamada de “ego negativo”. Todo adulto tem, dentro de si, esta estrutura da psique que fica de plantão em nossas vidas querendo defender nossos direitos egoisticamente e, com esta intenção, às vezes ela mente, suborna, trapaceia, engana, faz manha, se desestrutura, chora e agride. 

Ela está aí dentro de cada um de nós, pois é fruto da própria vida planetária, dos enganos que temos cometido durante milhares de anos, quando sentimos a separação da divindade em nós e passamos a viver uma vida mais materializada, em busca da 3ª Dimensão, como chegamos a viver nos últimos 10 mil anos na tão amada Gaia. 

Nossa Criança Interior se forma através dos conteúdos de repressão, agressão e sofrimento, experimentados principalmente nos sete anos iniciais de nossas existências, podendo ser formado nesta mesma vida ou em existências passadas, ficando como uma sombra (memória extracerebral). 

Quantos pensamentos caem em nossas mentes ou mesmo quantas atitudes tomamos sem entendermos os motivos destes eventos? Parece que há "alguma coisa" dentro de cada um de nós que tem um poder maior que nossa vontade e é ela que normalmente determina os padrões de bem estar e felicidade interior de nossas vidas. 

Preste atenção nesta afirmação: "Todos estes pensamentos, sentimentos, emoções que temos nestes momentos, quase sempre formam algo velado, impublicável, que normalmente escondemos de outras pessoas, pois temos vergonha em assumi-los...” Se você parar para perceber os sentimentos deste momento vai constatar que tem dentro de si uma criança exigindo reparos por tudo aquilo que ela crê que já sofreu na vida. 

Algo precisa ficar bem entendido para que nossas atenções se concentrem na solução deste fato: “tudo aquilo que me acontece nesta vida, em qualquer nível, se não enfrentar e resolver nesta vida, levamos para uma encarnação seguinte, pois os problemas que criar, tendo um corpo físico, só tendo outro corpo físico poderei resolvê-los”. 

Desenvolvemos as personas ou máscaras e nos escondemos do outro para que o outro não nos veja; mas, no fundo, só queremos que o outro não nos veja, pois se nos vir, saberemos que fomos descobertos, ou seja, nós nos veremos. E quando eu me vejo, tenho que mudar. É mais fácil continuar se escondendo de mim mesmo, usando várias desculpas ou objetos materiais - como formas de apegos - e não entrar em mim para ver quem eu sou. Até hoje, depois de milhares de anos, fugimos de nossa verdade através deste mecanismo de defesa e continuamos sem evoluir. 

Evolução é o conhecimento adquirido com a prática de nossas verdades que podem nos levar à sabedoria e à compreensão. Enquanto isso não ocorre, é importante que tenhamos em mente a necessidade de estarmos centrados em nos conhecermos, nos percebermos. Temos um mundo interior riquíssimo, mas cheio de fantasias, desequilíbrios, queixas, mágoas, cobranças, etc., e preciso libertá-lo do que não serve à minha evolução e ficar apenas com os conteúdos de alma, da divindade. 

Atente, agora, à sutileza do fato: Toda vez que uma emoção negativa vem à nossa mente, como é que ela vem? Ou seja, que tipo de sentimento ela traz? A emoção que ela lhe traz é semelhante a quê? 

Se estiver bem atento ao seu sentir verificará que a emoção que ela traz é uma emoção infantil. Uma emoção que você traz de sua infância, como uma sombra que se criou até os 7 anos. É um pensamento e sentimento que não tem sustentação no mundo adulto, por não ter equilíbrio. No momento em que a sombra lhe aparece, você se torna criança. Experiencia uma volta à infância por alguns momentos. 

Como a maioria das pessoas lida com esta emoção da Criança Interior que nos surge das entranhas? Normalmente, pondo para fora os reclamos desta criança ou sombra, deixando que ela tome conta da vida do adulto e lhe tire momentos de felicidade, alegria, prazer e paz. 

O que fazer diante deste fato? Não se esqueça que esta criança internalizada é cheia de marcas, de impedimentos, de comportamentos estereotipados; normalmente ela se comporta como os outros a fizeram se comportar. Não foi uma escolha sua. Alguém a conduziu até agora e infelizmente você aceitou esta violência e a estava trocando pela liberdade de sua alma eterna. 

Uma importante dica como primeira coisa que podemos fazer é não ceder aos reclamos dela, não dar o seu poder pessoal a ela, mas sim acolhê-la. Conversarmos com ela, como se fosse um ser, uma criança como ela de fato é, respeitando sua dor, mas não deixando que o tiranize e continue a comandar sua vida. 

O passo seguinte é vir automaticamente para sua Mente Interior, aquela que fica no coração, onde está nosso Eu superior e respirar por diversas vezes no seu coração, imaginando que ele também respira, até se acalmar e pegar seu poder pessoal de volta. Lembre-se: ninguém no universo tira seu poder pessoal; ele só é tirado quando permitimos. 
 

Texto revisado por: Cris