/ Psicologia

O Apego (É meuuu!)

 A tradição esotérica conta que durante alguns milhares de anos, no início da vida humana no planeta, houve o desenvolvimento de três raças que viveram aqui, conquistaram a consciência de sua divindade e voltaram novamente para de onde vieram. Num determinado momento, seres de outras dimensões (lembra da serpente bíblica?) invadiram a terra e envolveram seus habitantes, trazendo padrões às suas mentes, até então desconhecidos, tais como medo, ansiedade, dissimulação, disputas, ciúmes, apegos e outros, que não eram praticados pelos seres Lemurianos, habitantes do planeta Terra nesta época. Desde então começou um verdadeiro esquecimento da divindade que está dentro de cada um de nós. 


Para que você entenda um pouco mais preste atenção em seu interior. Perceba como é difícil para você entrar em si, ficar quieto consigo, perceber-se, entender que dentro de sua mente há uma outra região quase que inexplorada, onde há de fato felicidade e profunda paz. Se você a contata se sente em harmonia; mas normalmente nós não fazemos isso. Estamos tão preocupados em ganhar nosso dinheiro, em corresponder às expectativas dos outros, em mostrar aos outros nossas competências, em cumprir os compromissos sociais, em querer ser mais do que qualquer outra pessoa, em precisar ter prestígio para nos sentirmos importantes, em sermos aceitos pelos outros, ou seja, sempre com atitudes de fora para dentro. E o mais importante que é termos nosso interior em paz, ficarmos conosco mesmos e descobrirmos o Deus que cada um é, nós não praticamos e por isso vivemos em nossa sociedade num nível de infelicidade tão grande, que promove toda esta agressividade que vemos estampada nas esquinas e na mídia todos os dias. 

Ao fugirmos de nossa realidade divina, de sabermos e nos sentirmos Deuses, desenvolvemos outros mecanismos compensatórios e um dos maiores foi o apego. Como “aprendi” a não mais me sentir um Deus passei a buscar fora de mim alguma coisa que preciso ter para me sentir seguro. Tendo objetos materiais, poderes sociais ou pessoas, que sentisse como sendo MEUS, acalmariam a angústia interior de sentir que falta algo que não consigo completar. 

O apego funciona mais ou menos assim. Ele substitui a minha visão de mim mesmo, ele está no lugar do “eu me ter”. Como não me tive mais passei a precisar do outro, que o outro me agrade, me promova, me dê carinho, me sustente afetivamente. E a melhor maneira de expressarmos isso “é termos o outro para nós, à nossa disposição”. O apego veio desenvolver a dependência do outro. E muitos de nós, não vivemos sem o outro. Preciso tanto do outro... E preciso, principalmente, para dizer que o outro É MEU. 

Quero diferenciar aqui o apego da troca, da parceria, por terem objetivos totalmente antagônicos. A nossa separação da divindade, ou seja, a perda da consciência de quem nós somos, promoveu em nosso coração a necessidade de nos sentir protegidos. Antes eu me protegia, eu me tinha, vivia muito bem comigo e por isso com todas as pessoas que me cercavam e em contato direto com a divindade. Quando fui buscar fora, na vida tridimensional ou material, o que tinha na vida quadrimensional ou interior, fiz uma troca que representa uma grande aprendizagem, mas que tem sido por demais danosa à raça humana e tem causado todo o sofrimento que nossa civilização vive, de no mínimo 30 mil anos para cá. 

Passei a precisar do outro. Sempre tive o outro desde a primeira encarnação de um ser humano no planeta e vivia em harmonia com este outro mas, ao buscar fora e desenvolver o apego, o outro passou a ser essencial. Esqueci que para ter o outro preciso primeiro me ter e que o outro em minha vida é conseqüência de como me tenho, me trato e me permito. 

É maravilhoso amar, ter em uma companhia o objeto de nosso amor. Trocar, viver um momento de carinho, ter uma relação sexual com uma pessoa que, além do tesão, tenha identidade de alma conosco. Como é bom! Que presente da divindade para cada um de nós! O outro nos complementa. Ele entra em nós ou entramos nele e nos sentimos preenchidos. É se relacionando com o outro que crescemos, evoluímos. 

Normalmente, nossa mãe e nosso pai não nos amam. São apegados em nós. Confundem apego com amor. Aprendemos o apego e o praticamos em quase tudo em nossas vidas. 

Infelizmente, a grande maioria dos seres humanos não pratica a troca, o entrar e sair em uma relação. “Temos uma necessidade interna de sentir que o outro é meu. Precisamos ter o outro. Somos dependentes do outro”. Só que estar com o outro, viver os momentos da relação, curtir o que for possível e depois voltarmos para nosso interior e nossa vida pessoal, a nossa geração não tem conseguido compreender. 

Esta dependência do outro fez com que eu precisasse tomar conta da vida do outro. Preciso saber de sua vida. Preciso saber onde está, com quem está, o que disse e o que ouviu. O outro precisa confirmar várias vezes por dia que me ama. Se ele não confirma, sinto-me frágil, vazio, oco; é quase que uma sensação de desespero, de muita solidão e dor que toma conta de mim, dando até vontade de sumir. A vida perde o significado e só volta a ter algum valor se o outro me confirmar novamente e dizer e demonstrar que me ama. Preciso me sentir amado pois não me amo e aí dependo do amor do outro. Desenvolvi o apego pelo outro e, conseqüentemente, a dependência por não me amar. 

Normalmente, chamam de amor as atitudes de apego e algumas pessoas têm este processo em nível de altíssima ansiedade, portanto, insegurança. Não tendo o outro elegem objetos materiais, precisando então consumir muitas coisas ao mesmo tempo, para aliviar a ausência interior do outro. Que, no fundo, não é do outro e sim de si mesmo. 

Reafirmo que toda ausência que temos do outro é de nós mesmos. Quando digo que preciso do outro para me proteger ou me completar ou me sentir seguro, é porque não aprendi a fazer isso comigo e preciso que o outro me faça. A tônica do apego é tão forte e a necessidade do outro se torna tão intensa que o outro vai completar alguma coisa que não faço por mim. 

Estas pessoas que têm um nível mais elevado de apego e não se sentem complementadas pelo outro, precisam pôr para fora seus estados de insatisfação pessoal e trocam pelos objetos pessoais, as pessoas e acabam até praticando comportamentos compulsivos. Algumas têm a compulsão de comprar coisas sem conseguirem se conter. É como se ao comprar algo comprasse um pedaço de alguém que substitui um pedaço de si mesmo, que desesperadamente procura e precisa para se sentir uma pessoa, um ser humano. 

Evidentemente, o que coloco aqui são teorias e praticá-las poderá ser bastante difícil, e até impossível, por pessoas que não têm o costume de entrarem em si e praticarem uma meditação. 

Pode ser que alguma pessoa até ache uma utopia o que escrevemos mas tenho absoluta convicção que a felicidade e a paz, que são dois dos três estados mais desejados pelo ser humano (o outro é a saúde), só serão conseguidos se praticarmos uma mudança de padrões. 

As relações no planeta estão estruturadas em se praticar o apego e apego representa também poder. Eu me apaixono pelo poder, eu tenho apego pelo poder. Levo este modelo para todos os meus papéis sociais, humanos e espirituais (sim, espirituais, pois as religiões são estruturas de poder e apego e não de ligação com a divindade) e passei a procurar fora de mim, o que deveria ser o meu maior compromisso interior. 

Creio que não seja um caminho muito difícil ir se conseguindo este novo padrão. Se eu for honesto em meus propósitos e aprender a ficar comigo e meditar, entrar com profundidade nos meus sentimentos e emoções e conhecer minha realidade interior, em pouco tempo vou novamente lembrar o Deus que Eu sou e conquistar uma vida de harmonia e felicidade. 

O caminho é seu, a consciência é sua e a escolha é de sua responsabilidade. Vá em frente e boa sorte; você merece pois é um Deus e Deuses não têm apegos. Deuses amam. 

Ame-se e permita-se agora ser quem você É! Um Deus.

Texto revisado por: Cris