/ Psicologia

O Medo

 Como é interessante e, ao mesmo tempo, patético vermo-nos sempre cheios de medo e nos segurando naquilo que podemos, para mascará-lo e fingir que não é conosco aquilo que está acontecendo. Quanta mentira e justificativa eu dou, por causa desse sentimento. Perceba em seu coração quantas oportunidades de bem viver, de ser vitorioso e mais feliz, você deixou escapar por causa do medo. 


Segundo nosso dicionário, medo é um sentimento imaginário, de ameaça, pavor, temor, receio. Segundo a espiritualidade, medo é ausência de amor. Quando não me amo, sinto medo. Quando não amo a vida, sinto medo. Quando não amo o próximo, sinto medo. Quando não amo a Deus, sinto medo.

O medo atua em nossas vidas de diversas maneiras. Quando o perigo é real, o sentimento de preservação da vida, o instinto primitivo, comandado pelas forças libidinais, atua visando nos proteger e nos dar condições para que nos libertemos das situações mais embaraçosas. Quando estamos diante de perigo iminente, as forças de Eros, que são as energias da libido (as mesmas da nossa sexualidade, portanto, da vida), colocam-se à nossa disposição, nos dando capacidade de reação, de força e de fuga do perigo, inimagináveis. Portanto, diante de um perigo real que pode destruir nossas vidas, o ser humano tem uma capacidade incrível de reação e atua em sintonia com o universo, visando sempre a preservação da vida humana.

Infelizmente ou felizmente, os medos que a maioria de nós temos, não são os reais, mas principalmente os imaginários. Vivemos, sofremos e adoecemos sempre diante dos medos imaginários. Muitos desses medos, senão a maioria deles, estão baseados em crenças, superstições ou modismos sociais, das épocas em que reencarnamos.

Vamos dar, aqui, um exemplo bastante transparente daquilo que estamos afirmando. Quem aqui já passou dos 30 anos, com certeza, já teve ou tem medo de Deus... é provável que muitos daqueles que têm menos de 30 também o tenham... Lembram o que era ensinado para nós quando criancinhas? Cuidado, que Deus castiga! Quantas coisas você fez em sua infância que, na hora de dormir, ficava com medo que Deus pudesse castigar? Certamente, estes padrões que lhe foram passados na infância, estão aí em você, cristalizados, e lhe ajudam a viver mal sem a qualidade de vida que merece ter.

A maior lembrança que a psicologia aponta como o fator mais desencadeante de medo, vem da uma explicação psicanalítica, onde o deus Tânatos, da morte, é um ser ameaçador. E segundo essa explicação, todo ser humano tem em si, um grande poder autodestrutivo que aparece em seus comportamentos como atitudes de sadismo e masoquismo. Pois ao nascer, começamos uma grande batalha entre a vida e a morte e sabemos, intuitivamente, que a morte sempre irá vencer, pois, até agora, todos os seres que aqui nasceram, aqui morreram.

Segundo uma corrente do pensamento da psicologia, todos os nossos medos se originariam aí, desta constatação terrível para o ser humano, onde a morte sempre vence a vida. Por isso, a explicação da libido ou da energia da sexualidade, pois todos nós buscamos o tempo todo o prazer, por saber que um dia a morte vem e nos leva embora. Se tirarmos qualquer preconceito acadêmico veremos que, filosoficamente, esta premissa tem verdades absolutas, ao olharmos a vida humana como uma única oportunidade para cada ser. Mas ao se estabelecer a diversidade de planos e de oportunidades múltiplas de vida, esta afirmação perde muito de sua força e legitimidade, mas nunca deve ser totalmente desprezada.

Partindo, então, desse pensamento como âncora para o desenvolvimento destas idéias, concluímos inicialmente que o nosso medo está intimamente relacionado com a morte. O que simboliza, para cada um de nós, a morte? É bem provável que para a maioria de nós a morte signifique sofrimento.

Para entender um pouco mais, vamos pensar naquela explicação de Jung sobre o inconsciente coletivo, onde nós herdamos dos antepassados certos traços de personalidade que são passados de geração a geração, em nossa psiquê ou como componente genético e formam de certa maneira em qualquer lugar do planeta um pensamento quase que comum, onde atitudes e sentimentos se tornam semelhantes. Mas indo um pouco mais além de Jung, a Psicologia Transpessoal através da Terapia Regressiva, nos diz que o próprio processo reencarnatório pode nos explicar, com certa maestria, que muitos dos medos que associamos à morte são devidos, em muitas encarnações, a mortes violentas que estão intimamente ligadas a determinados ajustes de equilíbrios coletivos ou individuais.

Pelo pouco que conhecemos desta área, pois ela existe há menos de 25 anos, deu para termos uma noção segura para podermos afirmar que em cada encarnação onde tivemos morte violenta, é certo que uma lembrança dela fica presa em nosso subconsciente e pode estar atuando hoje, agora, em nossas vidas, criando, em nós, diversos medos imaginários, onde a sensação de destruição se torna muito forte, mesmo que seja apenas pela simples presença de um pequeno e inofensivo inseto.

Mas precisamos analisar o medo pelo aspecto social e atual. Quase toda estrutura de nossa sociedade tem tirado o ser humano do seu eixo, do seu equilíbrio. Pensamentos, filosofias, tendências políticas, ordens sociais e tantas outras coisas, têm colaborado de maneira intensa para que estejamos sempre submetidos a valores de controle e submissão.

Em nosso país, há menos de 20 anos atrás, pensar politicamente era proibido. Governos e religiões, principalmente com a finalidade de manter seu poder, controle e domínio, cercearam a liberdade de expressarmos nossos sentimentos, colocando o ser humano, não como um potencial divino que precisa ser respeitado, amparado e entendido, mas como um objeto manipulável, sem competência de pensar e escolher e, principalmente, decidir. Semelhante a um rebanho de gado grosso.

Por outro lado, na vida familiar, os nossos apegos de mães/pais promovem, em nossos filhos, uma "submissão" às nossas neuroses e não à liberdade de um ser. Em nome do cuidar, do proteger, do amparar, manipulamos nossas crias, pois se eles têm medo, ficam submetidos a mim e, se eu os tenho sempre ao meu lado, não me dá a insegurança, que é só minha, de não tê-los perto de mim, ou o medo de ficar só, só comigo mesmo, apenas comigo. Você agüenta ficar só, consigo mesmo?

Muitos de nós, só nos sentimos seguros se nossos filhos estão ao nosso lado. Justificamos que a vida é perigosa, tem muita violência, mas se olharmos com uma lente da razão, facilmente verificaremos que nós é que temos nossos medos. Nós temos nossas carências e inseguranças e, em nome de algo que é socialmente aceito, obrigamos nossos filhos a herdarem essas neuroses sem sentido. Pois se elas existem é porque minha dose de culpa, com relação ao que faço na vida e pela vida, é alta e ainda não aprendi a praticar em mim e por mim, duas coisas de real importância: o perdão para mim mesmo e a fé no Ser Divino que a tudo provê, e em mim, que sou um pedaço da mesma divindade.

Assim, cheio de culpas e com muito pouca fé, seguimos nossos caminhos deixando o medo tomar conta de nossas vidas, e também deixando de experienciar coisas de vital importância ao nosso progresso, apenas justificando que é perigoso ou não consigo. Você, alguma vez, teve coragem de entrar dentro dessa expressão "não consigo" e ver na amplitude dela, o que quer dizer? Certamente se o fizer terá uma surpresa, pois o único significado para o sentimento que está por trás do "não consigo" é: não quero ver, não quero me envolver, não quero pensar sobre este assunto.

Se nunca fez este tipo de questionamento, faça-o agora. Perceba o que sente quando diz não consigo e entenda o que estas palavras estão escondendo.

O medo é a negação da divindade em nós e da própria divindade universal. Portanto, medo é ausência de amor. Quando o medo toma conta de nós desestruturamos todos os nossos 7 corpos, inclusive nosso corpo de luz Divina, o corpo do EU SOU, e passamos a atuar numa faixa de vibração de baixíssima freqüência, criando uma série de doenças psicológicas que podem, em seguida, se tornar doenças espirituais e físicas e, o que é o principal, não poderemos ser felizes.

O medo não pode estar presente em nenhum sentimento de felicidade. Se você tem real interesse na sua melhoria como alma, é o momento agora, hoje, parar e olhar todos os seus medos. Checá-los, enfrentá-los e perceber qual ou quais os motivos por que você se segura neles, ou seja, por qual motivo você escolheu se segurar no medo para viver sua vida... Do que você foge quando elege o medo como seu ídolo? Sua vida está boa com tanto medo? Por que você não quer abrir mão dele, o medo? Por que o segura? Faça uma experiência, dê-se um presente: deixar entrar no lugar do medo, a fé, a segurança, a esperança. Será que sua culpa é tão grande que, mesmo assim, você crê que não mereça? Se você é um ato de amor da divindade, não estará na hora de deixar este amor tomar conta de tudo, envolve-lo e deixar apenas fluir a sua luz? Você é luz, portanto, viva e seja luz!

Texto revisado por: Cris