/ Psicologia

O Papel do Pai

 A função do pai na relação familiar, em nossa sociedade, é por o limite, dar a segurança deste limite, e servir de parâmetro equilibrador, ao apego da mãe. O pai é a razão. Evidentemente às vezes não ocorre assim, pois tem pais que são mais apegados que as mães.

Mas de uma maneira geral, a função do pai é dar apoio à estrutura familiar, usando a razão como fator preponderante, e aqueles pais que entendem suas responsabilidades, formam junto com suas esposas ou companheiras, a estrutura familiar para dar aos filhos, a acolhida e qualidade que eles merecem.

Creio que o papel ideal do pai é vivenciar o crescimento dos filhos, dar-lhes o apoio e a segurança que o seu papel compete, e ir soltando o laço afetivo, para que estes adquiram a confiança necessária em si e na vida, para que por volta dos 7 anos, se conclua o fechamento edípico.

Mas este pai, às vezes tem problemas e sérios problemas na relação com estes filhos. Muitos se perdem nos padrões herdados de autoritarismo, outros competem com as mães nos afetos pelos filhos, outros apenas se submetem às ordens da sua companheira e outros repetem os apegos de suas mães, vivendo na relação de pai/filho, um lado mais feminino do que o seu esperado lado masculino.

Equilíbrios e desequilíbrios acontecem, porque este pai, traz em si, sua relação com seus pais não resolvida. Tudo aquilo que ele não conseguiu resolver com questão a autoridade do seu pai, ou da super proteção e apego da mãe, estarão presentes na relação com os seus filhos.

Há uma tendência maior do pai proteger a filha, que é a retribuição do próprio apego e troca que a filha tem por ele, mas é uma verdade relativa, pois muitos pais competem com seus filhos homens pelo amor da esposa, mas a competição é muitas vezes menor, daquela estabelecida entre mãe/filha, e além de tudo, entra outro componente social na relação pai/filho, que é o nome.

Só este filho poderá manter meu nome, dar descendência ao meu nome, e mesmo havendo um pouco de competição, os objetivos da continuação da raiz familiar, normalmente acabam sendo mais fortes do que o CIÚME da relação do filho com sua mãe.

Mas este pai quando menino, também se apaixonou pela sua mãe, foi super protegido por ela, acostumou-se a ser servido, não teve traumas profundos, como o da menina por volta dos 3 anos, e cresce sem perceber certas nuances da vida. Seu nível de segurança aparentemente é maior do que da mulher, foi mais nutrido pela mãe, sente-se um ser especial, e aí resolve ter um filho.

Quando sua companheira engravida, pode viver da euforia à depressão rapidamente e muitos sentimentos que não foram resolvidos ou não enfrentados, podem vir à tona, trazendo-lhes desconfortos momentâneos.

Mas que sentimentos não resolvidos ou não enfrentados são estes?

O menino que cresceu livre e solto, e teve o apego incondicional de sua mãe, é geralmente mais seguro que a menina por ser mais nutrido, e é mais imaturo, pois não sofre ao se desenvolver, e cresce numa sociedade de padrão masculino e machista, acreditando no seu poder, que é alguém, especial, que é mais forte, etc. e todo este poder, ou esta crença, esta baseada em ter pênis. Foi-lhe passado através do inconsciente coletivo, e por sua mãe, que ter pipi, representa poder, haja vista, que sua mãe o privilegiou por este fato. Além do mais, quantas vezes pediram-lhe para mostrar seu pipi, para provar que é homem? Mostrar seu pipi, é uma prova deste poder masculino. Pergunte à uma menina se alguma vez lhe pediram para mostrar sua periquita, para provar que era mulher ?

Portanto, todo seu poder está em ter um pênis. Homens, olhem-se, e vejam o valor do seu Pênis para você! Aprendam, ainda dá tempo. Quando sua companheira engravida, irá perceber logo, que este poder é ilusório, pois o poder não está num órgão pendurado no meio das pernas, está muito além desta crença, e constata que a mulher tem muito mais poder do que ele supunha... a mulher é matriz... é a estrela... ele é apenas o elemento inseminador, um ator coadjuvante. Além do mais, esta mulher que engravidou está diferente.

"Se me tratava com tanto mimo, não o faz mais, fica meio chorona, distante, exigente, e me deixa muito inseguro...."

Inseguro por vários motivos... primeiro pelo seu poder... ser mãe é o maior poder do planeta... “me sinto diminuído como homem, pois tinha a crença que eu era o poderoso, afinal eu tenho aquilo”.... e preciso “re-elaborar” esta crença e papel.

Segundo, eu tenho ciúme, ciúme do poder, da barriga, da atenção que ela me deu e agora não me dá, (e para muitos homens, esta sensação é real) “parece que ela queria ter apenas um filho meu, agora que já tem, nem liga mais para mim”, da atenção que só dá a este filho que vai nascer ou já nasceu... e eu, como fico? Quem cuida de mim?

Os homens, e são muitos, que não fecharam seus complexos de Édipo, nesta fase, tendem a ficar irritados, descontentes com o casamento, achando que entraram numa errada, que a mulher não é mais a mesma, está uma chata, e bate uma insegurança enorme e quando bate a insegurança numa criança o que ela faz????

Vai procurar a mãe, a mãe é sua segurança. Mas este homem, que tem todo seu poder representado no pênis, então o pênis representa também segurança... bem... a mãe é segurança, e o pênis é segurança, só que o pênis é segurança e poder. O que o homem faz? Vai querer usar este pênis para se sentir seguro e com poder novamente.......

Este texto é um resumo de um capítulo do livro SÓ PARA HOMEM- Guia Prático de Auto-conhecimento do Masculismo, ou Porque todo Homem é Um Babaca. (se quiser lê-lo na íntegra, procure informações neste site)