/ Psicologia

A Mãe e o Filho Homem

 Não foi planejado para ser assim, mas como é, compete a nós, enfrentarmos e mudarmos.
Estamos falando do apego, o profundo apego, que de maneira geral, norteiam as relações das mães com seus filhos homens. Apego este, que proporciona um não crescimento das relações entre masculino X feminino, permitindo então, tantos sofrimentos e desequilíbrios, numa coisa tão simples, que deveria ser apenas amar. O masculino encaixa no feminino e o feminino encaixa no masculino. Ambos se completam, completam? Não tem sido assim em nossa civilização.

Em tempos antigos, quando vivíamos o matriarcado, a atuação da mulher era diferente, mas não soubemos fazer adequadamente e tudo começou novamente no planeta, perdemos a alta tecnologia dos Atlantes e começamos cerca de 10 mil anos atrás, em uma situação muito precária.

Como era preciso novamente o crescimento tecnológico e expansão, o patriarcado voltou a imperar e a mulher voltou a ser submetida ao domínio da força, ao masculino e como tudo aquilo que é dominado tem sua contrapartida, hoje estamos diante do preço que pagamos, na tentativa de equilibrarmos novamente esta relação.

Em nossa sociedade, que herda uma tradição judaico-cristã, existe no inconsciente coletivo, alguns traços bastante evidenciados, de uma cultura muito antiga, mas atuando ainda hoje e atrapalhando o crescimento e progresso do ser humano como um todo.

Falo primeiramente, de 2 aspectos importantes que ajudam com que a mulher mantenha o apego ao filho homem, e entendo que ambos são culturais.

Na tradição judaica, o filho homem, o varão, é o responsável pela segurança dos pais na velhice e principalmente da mãe. Ao filho primogênito, é dada todas as regalias, pois ele representa, além da continuação do nome da família, o sustento do pais na velhice e principalmente da mãe, que de maneira geral, sempre vivia em média 10 anos a mais do que o pai. Vemos aqui no Brasil este modelo sendo seguindo e principalmente por famílias cristãs. Creio que está pode ser uma das causas do apego das mães pelos filhos homens.

Uma segunda ocorrência que herdamos é o nosso processo cristão, onde a devoção do amor incondicional de Maria pelo seu filho Jesus, vem através de quase 2 mil anos, criando um modelo onde até hoje, muitas mães batem no peito dizendo-se defensoras perpétuas dos seus filhos, e vivendo suas vidas exclusivamente para eles, como se sua missão fosse igual a de Maria, e seu filho fosse Jesus.

Estes 2 eventos cristalizados em nossas psiquês, criaram uma enorme confusão, deram um status à mulher/mãe, a de tomadora de conta dos seus homens, aquela que os homens/filhos não viveriam sem sua presença e atuação, aquela que está sempre atarefada e precisa servir a todo o momento, e a vida deles é` mais importante do que tudo, abro mão até da felicidade, para servi-los e aí, eu os controlo, manipulo e submeto. Aos homens, devido este padrão aprendido e aceito, sobrou uma pequena tarefa, a de ganhar dinheiro para o sustento de tudo e ser incompetente em quase todas as outras coisas, não saber fazer mais nada a não ser trabalhar, se submeter e permitir ser manipulado.

Há um terceiro fator cultural e este é o maior de todos O PODER. O poder, a luta por este poder, criou competição entre o masculino e feminino, onde todos são perdedores. O Poder da razão, contra o poder da sensação nas culturas antigas.

Em épocas Atlantes e Lemurianas, vivemos por milhares de anos o matriarcado, e lá onde as mulheres comandavam, os homens também eram considerados objetos de uso e de 2a. categoria. A nossa civilização Ariana, apenas repete invertidamente, o que já ocorreu num passado remoto.

O poder masculino é representado pelo FALO, que simboliza nada mais do que o pênis. Como o pênis sempre foi objeto de poder e a mulher que já era submetida pela força física e não tinha pênis, nada mais do que fazer este pênis se submeter aos seus encantos, aos seus domínios, às suas ordens. Assim tem sido, pelo menos nos últimos 10 mil anos. Antes, alguns estudos apontam, que o homem só tinha 2 funções no matriarcado. Fazer o serviço pesado e dar prazer às mulheres.

Não era para ser assim. A proposta original da Criação não era esta. O que estava previsto era vivermos o amor, não a competição. O amor não gera medo, nem culpa, nem apego. O amor liberta. O que vivemos em nossas vidas afetivas é contrário ao que deveria ser.
Em nossa civilização, foi o Dr. Freud, que trouxe as primeiras informações de como a nossa psiquê funciona, devido este desequilíbrio estabelecido e quando foi formulada a teoria do Complexo de Castração, passou-se a ter um entendimento maior sobre o fato.

Voltando a esta teoria, a menina por volta de 2,5 a 3 anos, percebe que não tem pênis. É ruim para uma criança que vive a fase do pensamento concreto, entender o porquê ela é diferente, não tem aquilo, quando todos sempre valorizam o pipi. Para esta menina, esta contestação é dolorosa. Sente-se diferente, incompleta, castrada, entra em luto, fica depressiva, sofre.

Como esta fase é de muita fantasia, imagina que o dela vai nascer também, como não nasce, fica o trauma que isto representa e como não pode solucionar este problema, nem tem como por para fora a emoção que ficou reprimida, ela cria uma sombra. Nesta sombra, tem um pensamento mágico, que ficou do momento que imaginava que o dela iria nascer também, vou ter o meu pipi, como não pode ter o seu pipi, a sombra ficou lá internalizada em algum lugar do seu subconsciente.

Na vida prática ela precisa continuar vivendo, cria então mecanismos de defesa para suportar a dor da castração e de se sentir diferente, .de aplacar a inveja que teve de não ter aquilo que o menino tinha.

O primeiro mecanismo é a vaidade, não tenho pipi, mas sou mais bonita, eu me enfeito, me arrumo e todos falam que sou bonita. Preciso escutar que sou bonita, preciso que as pessoas percebam que estou bonita, assim me sinto mais segura e vai por aí a fora.
Neste mesmo momento, aquela idéia de ter um pipi para si continua se alastrando e a natureza nesta mesma fase faz com que esta menina, entre no seu complexo de Édipo, pois precisa romper com o amor da mãe, se desapaixonar pela mãe, pelo corpo e seio da mãe e buscar na figura masculina a sua paixão.

Ora, o pipi mais próximo de sua vida é o papai, mas o papai é da mamãe, era! Agora farei de tudo para ele ser meu. Começa a fazer de tudo para ter o amor deste pai só para si, compete descaradamente com sua mãe e se sua mãe também competir com ela, esta criança levará para sua vida de mulher toda a carga aprendida desta competição.

Este é um dos motivo que as mulheres competem entre si, SEMPRE e muitas mulheres, competem doentiamente com a outra em tudo, e se puderem roubar seu homem, o farão, nem que não o apreciem, mas pelo simples prazer de estar competindo e vencendo sua mãe, pois, ao competir com outras mulheres, no fundo compete com sua própria mãe.

O pensamento internalizado, de ter o seu pipi está no arquivo, ela agora está mais preocupada em vivenciar suas experiências, crescer, ter seios, se tornar necessariamente muito bonita, virou mulher começa suas experiências afetivas sexuais e só quando é mãe de um filho homem, que tudo aquilo que estava no seu arquivo vem à tona.

Ao ter um filho homem, ela concretiza seu sonho, AGORA TENHO UM PIPI SÓ MEU. Todo seu sofrimento de menina castrada, agora se liberta, mas se liberta em cima do filho. Ela vai proteger, cuidar, fazer por ele e não deixá-lo crescer e amadurecer, pois ele é meu, algumas mulheres me relataram que pensar em libertar um filho homem no seu coração, dá um desespero tão intenso, que até dói em pensar.

Percebam que interessante, se fosse desejo sexual, ao ter seu parceiro sexual, a mulher se libertaria deste jugo, mas como este desejo é de poder, o seu poder está estabelecido ao ter um homem que pode controlar, manipular, mesmo que tenha que servir e aparentemente se submeter.

Esta é uma história complicada, em que seres humanos que habitam corpos masculinos e femininos se comprometeram.
Muitas mulheres, mães, que não tiveram com sua mãe esta questão resolvida, repetem com suas filhas o mesmo modelo de competição feminina e ao fazerem isso, agravam ainda mais a necessidade da filha, que não se libertando, quando chegam a um determinado momento de exercer o seu poder de fêmea na vida adulta, querem porque querem, e até tem um ditado popular que diz: "Mulher quando quer" e normalmente neste, quando quer, sempre a vítima é um homem.

Por outro lado, este menino, depois homem, que teve a mãe lhe servindo incondicionalmente, acostumou-se a ser servido. Não desenvolveu anti-corpos, não aprendeu a se servir e começa a pensar que é alguém muito especial, devo ser muito bom, veja só como as mulheres me tratam e neste comodismo, de só receber, se torna um incompetente, portanto um ser facilmente manipulável, enganado.

Por causa de como foi educado e por não ter rompido com sua mãe, seu complexo de Édipo, aos 7 anos (pois sua mãe não deixou), ele não aprendeu a pensar afetivamente, as vezes não consegue dizer a uma mulher eu te amo, pois aprendeu a receber, só a receber, a ser atendido em todas suas vontades e assim, este homem, está dentro de um grande estigma, normalmente não usa sua cabeça para pensar afetivamente, pensa com a cabeça do pênis, sente a necessidade de ter todas as mulheres do mundo pois foi assim que aprendeu, todas as mulheres estão a sua disposição, pois este foi o modelo aprendido.

Mulheres, cuidado ao cuidarem de filhos/homens, a vítima pode ser você.
Desta maneira, masculino e feminino vivem seus enganos, seus desencontros, e o afetivo, que deveria ser um suporte para a vida mais saudável e feliz, acaba sendo nosso maior problema e dificuldade de conviver.

É hora de uma profunda reflexão sobre nossas vidas afetivas, sobre nossos apegos, sobre nossos modelos, sobre o que buscamos como parceiros, sobre o que damos e o que esperamos receber, talvez assim, consigamos entender melhor a maravilha que existe um pouco acima do nosso ego, nos esperando para sermos parceiros uns dos outros, parceiros afetivos. Parceiros felizes !