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A VAGINA DENTADA, HOJE!

 A VAGINA DENTADA, HOJE!

Ou, A Ereção Feminina!

 

A “Vagina dentada" é um medo generalizado e arquetípico que pode ser encontrado no simbolismo, mitologia e religiões em todo o mundo. Ela é evocativa de uma crença subconsciente de que uma mulher pode devorar ou consumir seu parceiro durante o sexo, que se acredita ser despertada pela boca, simbolismo da vagina. Sigmund Freud, que cunhou o termo, disse: "Provavelmente, nenhum ser humano masculino é poupado do choque terrível da castração ameaçada com a visão dos órgãos genitais femininos. (Há outros autores que não confirmam “vagina dentada” como dita por Freud.)

Visões de uma vagina plasmada com fome , alinhada com as filas de dentes afiados têm sido predominantes nas sociedades patriarcais, especialmente por representarem o medo que o homem destrutivo tem de ser conquistado por aquilo que ele procura para oprimir.

Esse medo foi ressuscitado com a crença de que o homem é superior à mulher. A fraqueza e a impotência sentida após o momento da ejaculação desperta medos inconscientes no homem, de ter sido devorado. É uma crença em muitas culturas que o homem expele sua energia na ejaculação, enquanto a mulher chama-a em si mesma, e adiciona-o para sua própria energia.

A Hel, deusa nórdica ,dominava Helheim, cuja porta era uma vagina, ou yoni, e os cristãos, que adotaram o nome de Hel em "Inferno" para o seu outro mundo, muitas vezes representando a porta de entrada para o inferno, como alinhada com os dentes, e de modo muito semelhante à  genitália feminina. O símbolo hindu para as mulheres era um pente, que era o símbolo da vagina dentada. A vagina tem a mesma capacidade de consumir como o oceano - também um símbolo feminino - e cujas ondas estavam comparadas a dentes.

 Esse medo continua até hoje, agora tomando forma dentro da arte e da cultura pop. Picasso e outros fizeram representações da vagina dentada em suas obras de arte e em filmes, como Indiana Jones e o Templo da Perdição, Candyman e até mesmo um episódio de Batman, onde o gigante Poison Ivy da armadilha da mosca vênus engole suas vítimas, contem imagens da vagina dentada, e que se trata de uma popular área de estudo para feministas, teólogos, historiadores e mitólogos.

A vagina dentada é uma imagem ou uma atitude sendo recuperada por mulheres no mundo de hoje, onde o sexo feminino, agressivo e poderoso, é um perigo para qualquer homem que procura conquistar ou oprimir . As mulheres estão reivindicando seus dentes da vagina metafórica e estão preparados para morder de volta! (Bárbara Walker).

A sensualidade humana é algo interessante, gostosa, motivadora e creio necessária à vida como um desafio constante de nosso aprendizado em lidar com nosso erotismo e aprender a equilibrar as energias da libido para que elas se tornem construtoras de vida, do prazer, da felicidade, de encontros de almas e não de viciações que, durante milênios, tem sido a tônica da vida humana, onde homens e mulheres vivem suas sexualidades sem a noção do sagrado que ela representa e de ser um componente importante em nossa evolução.

Há na sociedade uma cultura de valorização intensa de pedaços do corpo feminino: nádegas, seios e coxas são vendidos como produtos de consumo, e os homens emocionalmente imaturos são atraídos para o encontro de todas as suas fantasias onde a perfeição de um corpo físico feminino “poderia levá-lo a um êxtase sem precedentes” e maciçamente lhes são vendidos a cada instante estes “modelos de perfeição” e sem nenhuma leitura emocional e espiritual, seguindo normalmente apenas o instinto de sua testosterona, a grande maioria acaba comprando este produto que nunca lhe será entregue, mas que incita sua imaginação e mantém viva em si a fantasia de encontrar e se apoderar deste corpo ideal de beleza e sensualidade que poderá vir a lhe completar algo em seu interior, que há muito procura e não consegue encontrar.

Por outro lado, a mulher imatura e frágil, e frágil não em sua relação com o masculino, mas frágil pela sua relação não resolvida com o feminino que por ter a necessidade de ser bela, de ser confirmada e superar a sua “rival” em atributos físicos, ao saber que o homem compra pedaços do seu corpo, de maneira geral atua com estes seus pedaços onde reafirma tudo aquilo que não está resolvido em sua relação com sua mãe e que é espalhada por todas as outras mulheres e ajuda a manter os imaturos homens que também estão presos e não se libertaram de suas mães e distribuem os desejos repremidos do seu Édipo não revolvido pelos maravilhosos e perfeitamente siliconados, “botoxizados” e “academiquizados” corpos das mulheres de nossa atualidade.

Porém, nos dias atuais, a mulher não é a mesma de sua infância, quando ele menino se apaixonou pela sua mamãe. Esta mulher já mudou. Sua mãe já trouxe uma postura de força masculina, pois normalmente ela trabalha fora de casa, e com a competição cada vez mais acirrada que há entre o feminino, onde os meios de comunicação através de programas de auditórios com pernas e curvas perfeitas de suas dançarinas ou os banhos das mulheres molhadinhas que se realizam em banheiras de auditório ou onde apenas corpos femininos esculturais são convidados a participar dos chamados “reality shows” apenas ajudam a manter a imaturidade masculina e o seu desejo pelo corpo ideal que está em algum lugar de sua psique por não ter sido desligado ainda de sua mãe.

Como no universo tudo está se acelerando e a mulher quer o poder de qualquer maneira, ela também acelera de maneira inconsequente a sua “necessidade de poder” e talvez as mudanças de gerações que se davam em média a cada dez anos, na vida da mulher de hoje eu arrisco a dizer que esta mudança pode estar se dando a cada cinco anos.

Haja vista a pesquisa realizada pelas Secretarias de Educação e Saúde do estado de São Paulo, no segundo semestre de 2.011, para se tentar detectar os motivos do número de aumento de mortes em abortos clandestinos entre meninas de 10 a 14 anos, constatou-se que os adolescentes que frequentam escolas públicas no período da pesquisa se eram meninas, tem sua primeira relação sexual em média, repito, em média com 12 anos e se eram meninos sua primeira relação sexual em média é com 16 anos.

Há 42 anos, quando realizei meu primeiro casamento, os valores daquela época eram das mulheres se casarem virgens e a grande maioria delas mantinha este valor, evidentemente um valor social castrador, danoso à qualidade de vida, pois naquela época muitas mulheres não estavam preparadas nem para sua noite de núpcias, e isto viria provocar uma série de dissabores e dores emocionais no casamento e, em consequência, na educação dos filhos.

Desta época para cá, pude acompanhar a evolução deste processo, vivendo-o no meu dia a dia e a mulher de maneira geral se libertou das algemas e grilhões que centenas de gerações lhes colocaram como um cabresto para impedir a manifestação daquilo que divinamente é seu, seu poder de escolha e seu livre arbítrio sobre sua vida e corpo.

Porém, eu questiono muito se ela se libertou ou adquiriu outras tantas fortes e pesadas algemas e grilhões como tinham até a época de nossas mães ou avós. A mulher viveu numa ditadura milenar e nem saiu dela, já entrou numa outra ditadura, que talvez seja pior do que aquela em que ela vivia.

A sua forte e frágil delicada estrutura emocional, que tem a necessidade de ser protegida, não encontra no homem de hoje esta proteção desejada, pois ela, a mulher, desde tenra idade tem colocado desordenadamente e sem nenhum conteúdo de sabedoria o seu poder para fora, baseado em necessidades interiores não resolvidas e sem consciência daquilo que é seu papel como estruturadora da vida emocional do ser humano e parceira do homem e esta força desordenada em que a mulher atua inclusive em sua vida sexual tendo também muitas atitudes que milenarmente eram masculinas, e em nome da “libertação” e dos direitos iguais, ela pratica como dano à sua sensibilidade, à sua proteção e até e, principalmente, à sua felicidade.

A mulher exige direitos iguais, mas ela não tem este direito. Ela já recebeu do universo mais direitos por ser cocriadora da vida, então automaticamente ela já possui mais direitos que o homem, mas ao sair do seu papel feminino e querer também os direitos masculinos, como se eles fossem essenciais à sua felicidade, e os seus femininos fossem ruins e inadequados, ela tem cometido um enorme engano e este preço já se paga diariamente em nossa sociedade.

Primeiramente ela, mulher, normalmente sofre muito para ter uma relação afetiva de amor. Ela tem muitas relações afetivas sexuais, mas de amor são poucas. Ela desejou ter o mesmo direito masculino, mas a testosterona não é seu hormônio de excelência e por não se preservar e querer fazer como a outra faz, ela desvirtua constantemente o seu papel de ser receptiva e passa, por causa de sua carência, a ser um ser ativo, mas o estrógeno e a progesterona continuam sendo os comandantes de sua vida e de suas necessidades como mulher e fêmea da espécie humana.

O homem como portador da testosterona, hormônio da masculinidade, que nos dá mais força muscular, mais pêlos, ereção peniana, mas com uma competência emocional comprovadamente diminuída e por ser a mulher a formadora de sua psique, está numa armadilha tão grande como a mulher está.  A única diferenciação notória entre ambos é a ereção. Por mais que uma mulher deseje tentar ela é incapaz de ter uma ereção, mas a sua postura masculinizada é de quem tem várias ereções por dia e de alguma maneira o homem sente isso.

Como ser forte diante desta mulher que se apresenta mais forte do que ele? Como manter sua virilidade se sua amada é mais viril do que ele? Ela é mais rápida em tudo. Ela sempre chega na frente e decide mais rapidamente do que ele. Ela sempre tem pressa e cobra dele que pense igual a ela. Ela é mais lógica e vê as coisas antes do que ele vê. Ela é mais intuitiva e normalmente tem um poder de acertar e fazer previsões de coisas corriqueiras da vida e me cobra quando não lhe dou ouvidos e ela acerta.

Além disso, como sinto a ereção dela e ela normalmente é mais competitiva, até na ereção ela ganha de mim atualmente, eu como homem me sinto impotente diante desta mulher e acabo tendo problemas de ereção.  Acompanho no consultório, homens com menos de 30 anos, precisando dos vários tipos de Viagras para poder “dar uma” e há uma quantidade enorme de homens que não conseguem ter a segunda relação sexual, muito menos a terceira, valor que entre os homens de duas gerações atrás era comum e aceito como um valor de normalidade masculina.

Este homem de hoje tem medo desta mulher e bem mais do que foram os mitos do passado, de imagens que ficaram presas no inconsciente coletivo masculino, e o mito da vagina dentada, a vagina que tem o poder de comer e destruir seu pênis, sua masculinidade está atuando no cotidiano dos homens, principalmente os que têm uma idade inferior a 50 anos.

Homem, se você não aprender a olhar para você, se não se desligar emocional e afetivamente de sua mãe, fator que lhe deixa frágil diante das mulheres, você manterá de maneira crescente este desconforto que cada vez mais tem diante desta mulher moderna. A fragilidade que o homem mantém por não fazer uma leitura emocional de si está mais viva do que nunca e ela aparece hoje em forma da vagina dentada, onde esta mulher forte o assusta e o ameaça de castração.

Enquanto você não se desligar da mamãe, não estará em seu poder pessoal, não será um homem maduro e adulto e consequentemente não estará em sua plenitude, e em sua vida deixará de haver importantes encontros: com sua sexualidade, com seu prazer, com seu papel masculino, com seu papel de provedor, com seu papel de pai e principalmente com seu papel de ser humano.

Lembre-se, somos eternos. Vivemos experiências de dualidade, ora homens, ora mulheres e só abandonamos o papel que escolhemos executar quando o vivenciarmos com sabedoria e consciência e o homem de hoje que se preocupa muito com seu lado intelectual, sua formação tecnológica, ainda peca em seu desenvolvimento emocional e em assumir o seu real poder masculino.

Nós homens, somos o outro lado da criação. Não geramos a vida, mas somos a semente que semeia o solo da vida em toda sua amplitude, desde o útero feminino como no solo sagrado da Grande Mãe, o braço forte que ampara, protege, defende e também constrói caminhos da vida material e conforto para todo ser humano.

Somos o representante do Grande Pai, do Grande Espírito, o princípio masculino da vida, a essência da razão, o superego que serve como elemento controlador ao excesso de emoção gerada pela mãe/mulher, no momento que nossos filhos precisam de outros valores, para poderem aprender a conquistar uma vida material fora das paredes de nossas casas, mas antes de mais nada e principalmente, somos parceiros das mulheres, somos a outra contraparte da vida, a que é recebida pelos braços abertos da mulher e a envolvemos em nosso abraços de proteção, para que o encaixe das polaridades aconteça e todos nós nos tornemos UM . UM com a vida, Um com cada semelhante. UM com o Todo.

E isso só ocorrerá quando o homem assumir a si mesmo, aprender a ficar em si, aprender que um corpo de mulher é apenas um corpo de mulher e não seu objetivo maior de vida e que o amor, que se encontra no coração de cada um é a energia maior que preciso aprender a acionar em mim e por mim, pois só quando verdadeiramente me amar, estarei inteiro para cumprir o meu papel masculino e viver a plenitude que o Universo reserva a cada um de nós. Aí amigo homem, o mito da vagina dentada, aquela que vai te engolir ou te castrar certamente deixará de existir e assombrar a tua vida sexual e afetiva.

Irineu Deliberalli

Psicólogo e xamã