/ Psicologia

Página em Branco !

 
Todos nós somos atores no palco da vida. Vivemos inúmeros papéis no decorrer da história da humanidade e por isso o teatro, antes das mídias modernas, desempenhou desde o antigo Egito, cerca de 2.500 AC, um importante papel onde retratava nossas relações com os deuses, com a natureza e com o próprio homem.  
 
Mas a palavra teatro e o conceito de teatro, como algo independente da religião, só surgiu na Grécia de Pisístrato (560-510a.C.), que era um tirano ateniense onde a tragédia foi colocada como foco da vida humana e passou a ser contada em espaços públicos gratuitamente, mas com normas de frequência estabelecidas pelas autortidades públicas.
 
Esta emitação da vida humana, sua relação com o divino e a natureza tinha a finalidade de provocar aquilo que na época se chamava catarse e que o filósofo Aristóteles designava como a "purificação" sentida pelos espectadores durante e após uma representação dramática.
 
Quando o Dr. Freud começou a desenvolver o primeiro conhecimento psicológico ao qual ele veio dar o nome de Psicanálise, ele não tinha nenhuma referência para se basear a não ser a sua intuição e grande parte de sua obra, foi alicerçada em conhecimentos praticados pelos filósofos da Grécia antiga, por ser a civilização que chegou a ter um desenvolvimento do entendimento da vida, de valores éticos e da própria natureza humana, superiores a qualquer outra civilização que se tenha registro evidente e acadêmico em nossa história.
 
Assim no desenvolvimento do seu trabalho de criar uma nova visão para se entender o ser humano, sua emoções e sua vida, a palavra Catarse passou a ser muito usada em seu método psicanalítico e a sua prática consiste em trazer à consciência recordações que foram recalcadas em algum espaço ou tempo porque quando podemos fazer uma nova leitura sobre um valor antigo podemos criar condições de libertação da emoção ou sentimento que sofreu repressão.
 
Quando sai da faculdade o primeiro curso de formação que fui fazer foi de Psicodrama, método desenvolvido pelo Dr. Jacob Levy Moreno e havia  uma palavra muito ouvida lá que era a “catarse de integração” que resumidamente consiste em se fazer a leitura do complexo de sentimentos, que antes era visto como ameaçador, e causador de sofrimento e que pode ser agora liberado ao se fazer uma nova leitura e integrar aquela experiência vivida à sua vida, sem a dor ou ameaça para se criar uma nova realidade presente.
 
Na nossa realidade social encontramos um caminho diário de desafios e de catarses, para aprendermos a fazer nossas novas leituras do universo e de nós mesmos e aprendermos a ter uma nova postura emocional e espiritual para que possamos construir uma vida com a qualidade e que nos traga paz, segurança pessoal e felicidade.
 
Infelizmente uma parte considerável da nossa civilização ainda está presa ao processo de manipulação de nossas estruturas sociais, onde hoje as mídias são usadas como instrumentos de perpetuação de uma qualidade de vida duvidosa, de um bem estar que não traz a felicidade, pois toda esta  estrutura obedece a um segmento mercantilista, onde se criam diariamente na mente das pessoas novas necessidades de consumo, desafios para se ganhar mais e mais dinheiro e esta prisão que nós todos vivemos não é percebida pela grande maioria da população justamente pela falta de uma leitura emocional e espiritual de sua própria vida e do momento cósmico que hoje vivemos.
 
Agora que estou escrevendo este texto é domingo por volta das 18 horas e estou ainda sobre o reflexo das experiências vividas no dia de ontem sábado, depois de mais um ritual da planta sagrada, que culminaram nesta madrugada por volta de 01,30 h. quando em meditação uma voz caiu dentro de meu coração e começou a sugerir que escrevesse este texto, mas não só escrevesse, com de fato começasse uma nova página em branco em minha vida e nela escrevesse uma nova história para mim.
 
Nestes últimos 20 anos fiz uma radical mudança de vida e de conceitos, por largar uma profissão bem rentável que era a publicidade e passar a trabalhar somente com atendimentos psicológicos, reikianos, de acupuntura, radiestesia e xamânicos, ou os cursos que ministro, pude compartilhar a minha vida com milhares de pessoas de todas as classes sociais e idades e nesta troca profissional e humana, aprendi que o sofrimento humano apenas existe pela falta de compreensão de si mesmo e da lei que rege o universo.
 
A cada momento o universo tem dado a todos nós a oportunidade de escrevermos uma nova história em uma nova página em branco, mas a maioria das pessoas, onde eu me incluo, continua repetindo os velhos padrões e os velhos hábitos, que nos levaram a termos as dificuldades que se apresentam em nossos caminhos.
 
Tenho aprendido que esta grande dificuldade humana se apresenta devido nós não ouvirmos nossa voz divina que se manifesta em nosso coração. No coração de cada um existe uma estrutura chamada Eu Superior ou Corpo Crístico e ele é a sede das nossas boas idéias, o local que nos traz o equilíbrio, a paz, a felicidade e o encontro com nossa natureza divina.
 
 Tradicionalmente nós temos o hábito de ouvir a voz da mente. A mente que é cheia de medos, de apegos, de mágoas, de julgamentos, de vaidades, de orgulhos e tantas outras coisas, pois a mente nos mente o tempo todo.  Ela está sempre nos enganado e todas estas emoções que a nossa mente manifesta em cada momento, fazem parte do conjunto das experiências passadas que encontramos em nossos arquivos, em nosso corpo emocional ou mental e pela falta da acuidade emocional e espiritual, tudo passa batido, e continuamos a repetir o mesmo padrão.
 
Há os arquivos de vivências passadas em cada um de nós e estes arquivos que na maioria das pessoas não são conhecidos pela própria estrutura das famílias e da sociedade e são muito poucas as pessoas que sabem fazer uma leitura emocional, diferenciando um arquivo de vida passada que quando não percebido, promove muitas culpas nas pessoas, por se acharem erradas, inadequadas ou até mesmo em pecado, por terem a tendência de repetirem no aqui e agora, situações de outros momentos e por falta desta leitura, acaba não ocorrendo o entendimento do real motivo daquela dificuldade apresentada.
 
Tenho tido uma experiência profissional interessante, por ter um lado espiritual meu que se manifesta desde os 18 anos. Uma parte considerável de meus pacientes e participantes dos meus cursos também são pessoas que vivem experiências em sua espiritualidade e o grande desafio que encontro com estas pessoas, consiste em ajudá-las a fazer uma leitura emocional de sua vida e sair de alguns apegos a determinados doutrinas espiritualistas que mais condicionam o ser humano do que libertam para uma vida de harmonia e saúde emocional.
 
Ficamos remoendo o passado, ficamos remoendo uma pessoa que nos agrediu ou não pensa como nós. Ficamos remoendo uma relação afetiva que já terminou ou remoemos também um emprego que não existe mais em nosso caminho ou uma pessoa amiga que se afastou.
 
Por que remoemos? Creio que seja pelo fato de nossa mente ser imediatista, competitiva, alimentada por uma carga emocional de desejos e vontades onde alguns dos nossos arquivos acreditam que temos mais direitos do que outras pessoas, ou que merecemos mais do que o outro e esta fantasia que lá se encontra cria a realidade do hoje, construindo um presente de desarmonia e de angústia.
 
O imediatismo de nossos arquivos que se manifestam em nossa mente, não quer aceitar o ciclo do universo, não quer aceitar que há uma ordem cósmica que tudo estabelece, e tenta criar sua própria ordem, e usa  principalmente do controle, do apego e do medo para dar suporte a esta fantasia tão doente do nosso ego.
O universo é um ser vivo que está em constante movimento, pois o universo é a morado do Grande Arquiteto da Vida, que se expande a cada segundo, seguindo sua vontade e permitindo que toda sua obra se expanda e se movimente também, mas Ele deu ao ser humano o poder de executar uma importante experiência que se chama livre arbítrio e por causa desta possibilidade, eu posso ficar grandemente atrasado em acompanhar a própria dinâmica da vida que se4 manifesta no movimento e assim não permitir que eu esteja em harmonia com este movimento cósmico, ficando parado em alguma parte da história e não seguir em frente.
 
Quando assim procedo há sempre uma história de alguma existência que fiquei preso. Há uma parte minha que se encantou com alguma coisa, que pode ter sido o poder, a beleza, a culpa, o medo, a vaidade, e tantas outras possibilidades e aí paramos o movimento cósmico em nós mesmos, e passamos a repetir sempre o mesmo padrão e não conseguimos mudá-lo.
 
Uma parte de nossa mente, do nosso ego, se apaixonou pela experiência e não consegue se libertar dela e para que haja esta libertação e possamos seguir em frente, somente fazendo uma catarse do evento ocorrido e esta catarse só consigo fazer quando aprendo de fato e verdade e entrar em contato com meu coração.
 
Para um grande número de pessoas é difícil sozinho conseguir este intento, pois são muitos arquivos, todos eles bastante viciados, com carga emocional de muita dor e só com uma ajuda terapêutica podem conseguir e catarse e a cura destas fantasias, e vir encontrar a possibilidade de viver um novo momento, de usar as páginas em branco e escrever uma nova história. 
 
Cada um de nós pode usar a qualquer momento esta página em branco e começar a redigir uma nova história de vida. Nada nos impede a não ser as nossas próprias crenças que nos escravizam e nos mantém ligados a um passado que estas mesmas crenças que governam nossas vidas não querem abrir mão.
 
Como estamos sempre escolhendo, espero sinceramente que você escolha uma página em branco para escrever um novo roteiro de vida. Eu comecei hoje mesmo a escrever o meu. Peguei uma bonita e branca página que a sinto agora que escrevo este texto, que ela está viva e sorridente aqui no meu coração e estou colocando nela uma nova visão de vida e de perspectiva, com esperança, com amorosidade e verdade onde escolhi escrever uma nova história nesta página em branco. Vamos escrever juntos?
Irineu Deliberalli
Psicólogo e xamâ.